BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República, postou foto ao lado do presidente Estados Unidos Donald Trump, na Casa Branca nesta terça-feira, dia 26. A imagem foi divulgada pelo senador em seu perfil no Instagram.
Após o encontro, Flávio Bolsonaro relatou que não ouviu de Trump uma declaração de apoio a sua pré-campanha presidencial. Uma interferência de Trump, inclusive com gesto de tomar lado, era um dos temores do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
"Não tem declaração de nada de apoio, como não deveria ter, não poderia ter. Jamais pediria que isso acontecesse", disse Flávio Bolsonaro.
Apesar disso, o senador do PL disse ter relatado a Trump que a eleição será acirrada. Ele tentou usar a deferência com a recepção como pré-candidato, algo pouco usual, como um sinal de prestígio em momento delicado da pré-campanha.
Flávio Bolsonaro afirmou que a visita na Casa Branca era um "reconhecimento" de Trump de que sua candidatura é "séria", "sólida" e "confiável". Ele disse que quis oferecer uma "alternativa" aos EUA de um presidente "aliado".
O senador afirmou que pediu a Trump que classifique as facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. Ele prometeu colocar o Brasil, se eleito, na aliança Escudo das Américas, lançada por Trump em março.
"Enquanto o Lula vai de joelhos, rastejando, para implorar ao presidente americano, Trump, que não declare organizações criminosas, como CV e PCC, como terroristas, eu faço o contrário. Eu fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele, para que ele declare CV e PCC como organizações terroristas, sim, que é o que eles são", declarou.
Segundo Flávio, o objetivo da medida é "libertar" pessoas que moram em áreas controladas por essas facções por meio de acordos internacionais, não só com os EUA, mas também com outros países, caso ele seja eleito presidente da República.
O senador disse que entrou às 15h e saiu às 16h40 da Casa Branca, mas não especificou quanto tempo ficou com Trump. Segundo ele, dois assessores de Trump permaneceram no Salão Oval.
Flávio afirmou que em seu governo a política externa será gerida com "pragmatismo econômico", em vez de "ideologia", mas fez uma crítica indireta a Pequim, maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e rival estratégico dos EUA.
Em terras raras e minerais críticos, o presidenciável do PL disse que afirmou a Trump que o Brasil é "a única alternativa real à China para o mundo livre" e prometeu que, sob seu governo, "haverá parceria estratégica de longo prazo com investimento protegido e reindustrialização compartilhada entre os dois países (Brasil e EUA)".
Flávio Bolsonaro disse ter falado sobre o tarifaço do ano passado, em parte justificado por lobby de seus aliados e com base no processo judicial contra o pai dele.
O senador afirmou ter dito a Trump que, se for eleito, "não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil" e que os países farão os maiores acordos de investimento.
O influenciador Paulo Figueiredo divulgou uma segunda versão da mesma foto em que além de Flávio Bolsonaro, também aparecem ao lado de Trump no salão oval da Casa Branca o próprio influenciador e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado também divugou a imagem comentando: "No Salão Oval da Casa Branca com o presidente da maior potência bélica e econômica do mundo, que recebeu o Senador @flaviobolsonaro, candidato à presidência do Brasil, algo simplesmente inédito! E foi muito bom!"
A divulgação do encontro ocorreu duas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser recebido em reunião pelo presidente americano.
Ele vestiu um broche de senador e a gravata verde e amarela, antes de chegar à sede da Presidência americana. Flávio Bolsonaro relatou que foi à Casa Branca após ter recebido um convite por email, da Casa Branca, mas ao fim reconheceu que o encontro foi precedido de articulações de Eduardo e Paulo Figueiredo.
O senador disse que o encontro mostra a relação estreita entre as famílias e os dois movimentos políticos do trumpismo e do bolsonarismo.
O senador afirmou ainda que Trump perguntou sobre o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e quis saber como a família passava pelo momento. Ele contou que mandou um abraço a Trump em nome do ex-presidente.
Daqui a pouco volto aqui para falar um pouco mais sobre a reunião na Casa Branca. pic.twitter.com/UycLfpw72y
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) May 26, 2026
O pré-candidato do PL tenta reverter uma crise em sua pré-campanha por causa das revelações de elos dele e pedidos de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por causa do escândalo do Banco Master.
O senador disse ter solicitado apoio da Embaixada do Brasil nos EUA para receber jornalistas e dar uma coletiva de imprensa, mas afirmou que não recebeu resposta. Ele deslocou a entrevista para outro local na capital americana e se queixou de uma atitude "mesquinha" por parte do Itamaraty e acusou o órgão de "aparelhamento ideológico".