BRASÍLIA — O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de um culto com Silas Malafaia na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), na Penha, zona norte do Rio, neste domingo, 3. A agenda selou o apoio do pastor à sua campanha presidencial.
Flávio chegou ao local acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, para um café da manhã com o pastor e sua esposa, Elizete Malafaia.
Estiveram presentes no culto o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), e o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL-RJ).
Malafaia vinha resistindo em embarcar na campanha de Flávio. Ele tinha predileção pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato do bolsonarismo a enfrentar o PT nas eleições de outubro, mas o nome do filho 01 de Jair Bolsonaro se consolidou.
Aliado de primeira hora do ex-presidente Bolsonaro, Malafaia tem proximidade com a família e não costuma ter papas na língua para dizer o que pensa da estratégia política de seus membros, o que muitas vezes causa embaraço.
Em fevereiro, por exemplo, o pastor afirmou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro ajudaria mais a pré-campanha do irmão se ficasse calado. Em janeiro, disse ainda preferir Tarcísio como presidenciável e que Flávio não tinha "empolgado".
"Pra quem tinha alguma dúvida que o pastor Silas o apoiaria, ficou provado que, mesmo o pastor tendo a preferência que fosse o Tarcísio o candidato, isso já virou matéria vencida, e o pastor manteve a sua coerência e lealdade à escolha do presidente Jair Bolsonaro", afirmou Sóstenes, aliado de Malafaia, ao Estadão.
Entre outros assuntos, os bolsonaristas conversaram sobre a disputa pela sucessão no governo do Rio de Janeiro, segundo um dos participantes. O grupo tenta emplacar Douglas Ruas na cadeira, ocupada hoje pelo presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ricardo Couto.
O magistrado assumiu o cargo porque, no momento da renúncia de Cláudio Castro em março para disputar o Senado, não havia nem vice-governador nem presidente do Legislativo na linha sucessória. Ruas acabou eleito pelos deputados estaduais posteriormente, e agora tenta assumir o cargo — o Supremo Tribunal Federal (STF) passa por um julgamento sobre como resolver o imbróglio.
A Primeira Turma da Corte, aliás, decidiu na terça-feira passada, 28, tornar Malafaia réu por injúria contra generais do Exército e rejeitar a acusação de calúnia. Os quatro ministros entenderam haver indícios suficientes para receber a denúncia em relação ao primeiro crime. Contudo, dois deles avaliaram que críticas foram genéricas em relação à instituição, o que derrubou a acusação pelo crime de calúnia.
Apoio de Malafaia
O apoio explícito do pastor é importante para a campanha de Flávio, que tenta unificar o eleitorado evangélico em torno de si. Como o Estadão mostrou, o PL mapeou as maiores igrejas evangélicas do Brasil para uma turnê por cada uma delas até a eleição.
Com a ajuda do Censo 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o partido elencou as denominações com maior número de fiéis para promover agendas com Flávio. O último censeamento, de 2022, não disponibilizou esses dados segmentados.
A ida a São Paulo em abril para um encontro com o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Assembleia de Deus Ministério do Belém, foi o pontapé dessa programação. Trata-se da denominação evangélica com maior número de seguidores no País, embora seja fragmentada em múltiplos ministérios independentes.
A Assembleia de Deus reunia em 2010 12,3 milhões de pessoas, seguida entre as pentecostais por Congregação Cristã no Brasil (2,3 milhões), Universal do Reino de Deus (1,9 milhão), Igreja do Evangelho Quadrangular (1,8 milhão), Deus é Amor (845 mil), Maranata (356 mil), Brasil para Cristo (196 mil), Casa da Bênção (125 mil) e Nova Vida (91 mil). Outras igrejas pentecostais somavam 5,2 milhões de adeptos.
Já entre as igrejas evangélicas tradicionais se destacam a Batista (3,7 milhões), Adventista do Sétimo Dia (1,5 milhão), Luterana (999 mil), Presbiteriana (921 mil) e Metodista (340 mil).