Zema: caso Banco Master seria "pouco provável" se Lava Jato não tivesse sido desfeita

3 mai 2026 - 15h21

O pré-candidato a presidente da República e ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo-MG) afirmou que um caso envolvendo o Banco Master seria "pouco provável" caso as condenações da Operação Lava Jato tivessem sido mantidas.

Ele atribuiu o episódio de fraudes cometidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro à sensação de impunidade no Brasil e afirmou que o problema não está em falhas regulatórias, mas na falta de punição efetiva para crimes financeiros.

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"Nós tivemos uma Lava Jato que foi toda desfeita. Quando se tem essa impunidade, parece que você está falando: raposas, entrem no galinheiro quando vocês quiserem, que não vai acontecer nada com vocês", afirmou em entrevista ao programa Canal Livre.

O pré-candidato afirmou ainda que a manutenção das condenações da Lava Jato teria reduzido a probabilidade de episódios semelhantes no sistema financeiro brasileiro.

Para ele, o mesmo princípio também se aplica ao combate à violência e à criminalidade.

Parte das condenações da Lava Jato foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decisões que apontaram irregularidades processuais e incompetência da Justiça Federal de Curitiba em alguns casos.

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Sobre o Desenrola

Romeu Zema (Novo) afirmou que o programa Desenrola, do governo federal, trata apenas os efeitos do endividamento das famílias, sem enfrentar sua causa estrutural da questão. Zema comparou o programa de renegociação de dívidas a um tratamento paliativo.

"O Desenrola é a mesma coisa que pegar alguém com febre e colocar numa banheira com gelo. Eu quero curar a febre. Temos de atacar o problema na origem e não na consequência", afirmou na entrevista.

O Desenrola foi criado na tentativa de facilitar a renegociação de dívidas de pessoas inadimplentes, com descontos e melhores condições de pagamento. O governo federal deve anunciar o Desenrola 2.0 nesta segunda-feira, 4.

Segundo Zema, o elevado nível de endividamento da população brasileira decorre da política fiscal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, na visão do pré-candidato, contribui para a manutenção de juros elevados no Brasil.

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"O brasileiro está endividado, pagando prestação alta, inclusive da casa própria, por causa da gastança do Lula. As empresas estão quebrando, deixando de gerar emprego por isso", disse.

Zema afirmou ainda que, se eleito, pretende priorizar a redução das taxas de juros como medida central de política econômica. Segundo ele, a queda do custo do crédito teria impacto direto sobre o orçamento das famílias, ao reduzir parcelas de financiamentos e empréstimos. "Todo mundo que compra qualquer coisa financiada hoje vai pagar muito menos e automaticamente a renda já melhora."

Impeachment no STF

Zema (Novo-MG) disse que o povo brasileiro "que rala, que levanta cedo e que sabe que o país tem futuro" só voltará a se orgulho do Supremo Tribunal Federal (STF) quando houver o impeachment que alguns dos ministros que ocupam as cadeias da Costa atualmente.

Segundo o ex-governador de Minas Gerais, o aparente envolvimento de integrantes do STF com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o caso do Banco Master causou indignação e desconfiança em relação à integridade do Judiciário.

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"Os brasileiros ficaram indignados com tudo que está acontecendo em Brasília, especificamente, no STF. Para o brasileiro voltar a ter orgulho do Supremo, temos que tirar alguns elementos de lá. O caminho mais natural para isso é o processo de impeachment", afirmou na entrevista ao programa Canal Livre.

O impeachment de ministros do STF depende da abertura de processo pelo Senado Federal. A Constituição determina que compete aos senadores processar e julgar integrantes da Corte por crimes de responsabilidade. Apesar de dezenas de pedidos terem sido apresentados nos últimos anos, nenhum ministro do Supremo foi destituído desde a redemocratização.

Os ministros do Supremo Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes terão a aposentadoria durante o mandato do próximo presidente da República. Caso não haja a indicação e aprovação de um nome para suceder a vaga deixada pelo ex-ministro Roberto Barroso ainda neste último ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há a possibilidade do candidato eleito ao Planalto em 2026 indicar 4 novos ministros.

A aposentadoria compulsória dos ministros do STF ocorre aos 75 anos, regra estabelecida pela chamada "PEC da Bengala", promulgada em 2015. Antes disso, a idade limite era de 70 anos.

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Zema acredita que o próximo presidente do Brasil terá "sabedoria e capital moral para indicar nomes adequados" para ocupar a Corte.

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