SÃO PAULO e BRASÍLIA - O pré-candidato à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 14, em entrevista à Globonews, que buscou "investidores" ao pedir dinheiro ao ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o parlamentar, o filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, Dark Horse, é um projeto cultural financiado com recursos privados.
Ele justitificou ainda que vinha evitando falar sobre o tema porque havia uma cláusula de sigilo que protegia os empresários que investiram na produção do filme. O senador reconheceu que omitiu o fato de conhecer Vorcaro antes de o banqueiro ser preso devido à fraude bilionária no Banco Master.
"Eu não pretendia esconder, mas era um contrato de confidencialidade sobre o filme. Se eu dissesse que tinha relação com ele, a pergunta seguinte seria qual seria a relação, o que justifica... A única conexão que eu tenho com este senhor (Daniel Vorcaro) é este filme", destacou. "Omiti, isso poderia descumprir uma cláusula contratual e isso gera multa".
Flávio negou que Vorcaro seja produtor executivo do filme que ele financiou. "Conversamos e ele topou fazer o investimento no filme, tá formalizado, eu estava achando que estava tudo tranquilo. As parcelas foram sendo pagas, conforme estabelecido no contrato, e chegou um momento em que ele parou de pagar as parcelas. Ele estava descumprindo o contrato e, como eu sou uma parte interessada, um filho querendo que o filho do pai fique pronto, cobrava ele", disse.
Flávio Bolsonaro disse que "não dá para querer trazer a preço de agora a realidade do final de 2024". A respeito da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro em 2025, quando o banqueiro já estava sob investigação, Flávio ponderou que "ele era um acusado e eu torcia que ele esclarecesse qualquer coisa de errado que ele tinha feito".
O senador afirmou que se limitou a atuar como "filho" em busca de recursos para um filme sobre o pai.
"A minha participação nisso é buscar investidores pra botar de pé um filme privado, com recursos privados, em homenagem ao presidente Jair", disse Flávio. "Um filho pedindo, buscando investidores pra que possam aplicar nesse projeto cultural e esperar receber algum retorno em função do lucro que esse empreendimento cultural."
O pré-candidato à Presidência disse que não sabe se o banqueiro Daniel Vorcaro enviou dinheiro para o advogado do seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA. Ele disse que os valores transferidos pelo banqueiro foram para um fundo exclusivo (que tem ligação com o advogado de Eduardo) para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro e que não sabe detalhes.
"Minha participação foi buscar investidores, dinheiro privado. Qualquer recurso privado que tenha sido aplicados nesse fundo foi integralmente para a produção do filme. E se foi algum recurso para o escritório de advocacia, eu não sei se foi, esse advogado é gestor do fundo e é uma pessoa de confiança do Eduardo Bolsonaro", afirmou.
Ele acrescentou que o fundo é fiscalizado pela Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil. Segundo ele, a estrutura presta contas regularmente à autoridade americana e, caso houvesse qualquer irregularidade, os gestores já teriam sido formalmente notificados.
O Estadão/Broadcast mostrou que a Polícia Federal (PF) vai investigar se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas ligado a Eduardo e usado para custear a permanência dele no país, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos nos EUA.
"Isso é mentira, criminoso, ilação e torcida contra a gente", rebateu Flávio. "Não vão conseguir me colocar na mesma vala comum do PT. Tem bandidos nessa história, mas tem inocentes que estavam de boa-fé como eu estava buscando investimentos privados para fazer um filme sobre o meu pai", disse.
Senador planejou visita de Jair Bolsonaro a Vorcaro
Flávio Bolsonaro disse ainda que chegou a cogitar levar o ex-presidente Jair Bolsonaro à casa do banqueiro Daniel Vorcaro, mas o encontro não ocorreu.
Segundo o senador, a relação com Vorcaro se limitou ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o capitão reformado. "Ele botou dinheiro, investiu num filme para receber o lucro dele de volta. Não tem caridade, não tem favor, não tem doação", disse.
Flávio afirmou que a crise em torno dos diálogos divulgados se instaurou porque ele é pré-candidato à Presidência e aparece bem posicionado nas pesquisas eleitorais. O senador também declarou que os investidores não quiseram aplicar recursos no Brasil, mas nos Estados Unidos, por meio de uma estrutura formalizada.
Questionado sobre a menção ao presidente do PP, Ciro Nogueira, em relação a investigações da Polícia Federal (PF) e a ação realizada, Flávio disse que o aliado é acusado de fatos graves, mas afirmou esperar que ele responda às acusações e prove sua inocência. "Ele é acusado de coisas graves, vai responder e, se Deus quiser, vai provar inocência", afirmou.