O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou que o ministro André Mendonça, relator do inquérito que apura as fraudes cometidas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, levante, em 24 horas, o sigilo de todos os procedimentos relacionados às investigações.
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Em despacho publicado na tarde desta sexta-feira, 11, Fachin atendeu ao pedido feito pelo Vice-Procurador-Geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Diniz Filho, que apontou que o levantamento do sigilo promovido por Mendonça na noite da última quinta-feira, 10, 'não contém grande parte dos procedimentos' relacionados à investigação mais ampla da operação 'Compliance Zero', que investiga o caso Master.
Assim como no primeiro despacho em que solicitou o levantamento do sigilo, publicado na quinta-feira, Fachin deu ressalva para que não sejam tornadas públicas apenas as 'diligências em andamento ou a serem realizadas', a fim de não prejudicar investigações em curso ou futuras operações.
Em outro despacho, Fachin também deu provimento a pedido feito pelo ministro Cristiano Zanin, encaminhando a Mendonça a solicitação pela liberação dos dados brutos encontrados no celular de Daniel Vorcaro.
O que foi mantido em sigilo por Mendonça no inquérito do caso Master
Apesar de tornar públicos 4.334 documentos ligados às investigações sobre as fraudes do banqueiro Daniel Vorcaro, Mendonça manteve o sigilo sobre 180 peças dos processos, incluindo frentes das apurações que envolvem o filme Dark Horse e a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-sócio do banco Augusto Ferreira Lima.
Com a decisão, parte dos documentos que estavam restritos passou a estar disponível. Entre os materiais liberados estão informações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso em Brasília.
Mendonça atendeu a um pedido apresentado horas antes pelo presidente do STF, Edson Fachin. A medida alcança um conjunto de inquéritos, reclamações e petições que tramitam na Corte e estão relacionados ao caso.
Segundo documentos divulgados pelo Supremo nesta sexta-feira, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) é investigado pela Polícia Federal (PF) por uma possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção.
Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao filme por meio de um fundo nos Estados Unidos. De acordo com o Intercept Brasil, Flávio teria negociado com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões à época, para viabilizar a produção.
Apesar da retirada de sigilo determinada por Mendonça, a investigação sobre o filme Dark Horse não foi incluída na abertura de todos os documentos do caso e permanece sob sigilo.