Eleita deputada estadual em SP com 1,9 milhão de votos, Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, afirma que o avanço da direita reflete o fracasso da esquerda em atender aos anseios da Geração Z e a desconfiança popular no STF. Com perfil conservador e combativo na Alesp, a parlamentar rejeita alianças ideológicas e foca sua atuação na pauta moral, elegendo o combate irrestrito ao aborto como principal bandeira, com apoio a casas pró-vida, além de projetar independência com o governo Tarcísio.
Aos 23 anos, a vereadora de Praia Grande Eduarda Campopiano (PL) afirma fazer parte de uma geração com a qual os governos de esquerda "tiveram sua chance", mas falharam. "A minha geração, a Geração Z, não tem o sonho da casa própria, não tem o sonho do carro próprio. Tornou-se uma realidade muito distante. As pessoas não têm o sonho de ter filhos, porque é inviável. Isso é triste."
É a esse fator que ela atribui o crescimento da direita nas urnas. "A corda estica muito para um lado, que, quando volta para o outro, vai de forma muito súbita", afirmou a vereadora sobre o pêndulo à direita. Ela só não esperava que o movimento fosse tão brusco. "A gente esperava que os números seriam bons, mas tão bons assim nos pegou de surpresa." Neste domingo, 4, Eduarda elegeu-se deputada estadual em São Paulo com 1,9 milhões de votos, a maior das eleições de 2026 e a segunda maior da história para o cargo.
Ao Estadão, ela avalia que a crise de credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) contribuiu com a decisão do eleitor. "É um sentimento de impunidade e de medo ver que a mais alta Corte do País, na qual nós deveríamos confiar, tem nos deixado tão desconfiados." Para a deputada eleita, o eleitor conferiu seu voto naqueles que tratam "há anos" dos problemas ligados ao Poder Judiciário.
Eduarda identifica-se como conservadora e pretende seguir essa linha na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Ela reconhece que seu perfil é mais "ideológico", mas diz não deixar os temas "bairristas" de lado, preferindo mantê-los fora dos holofotes, pois, do contrário, estaria sendo "populista".
"Com relação a redes sociais, a gente leva as coisas ideológicas, porque eu não gosto de ficar postando: "Olha, galera, o que eu consegui aqui, viu?". Não gosto desse tom muito populista, que é usar a imagem de pessoas que estão em sofrimento, em situação de vulnerabilidade, para conseguir engajar. Prefiro engajar com questões morais e ideológicas, porque aí sei que estou mostrando para pessoas que pensam como eu que elas não estão sozinhas e que elas estão bem representadas."
A deputada eleita diz que não será intransigente com projetos que sejam de benefício da população, que, eventualmente, tenham sido propostos por adversários políticos. Em temas ideológicos, porém, promete ser combativa. "No que tange a questões morais, eu não tenho o mínimo interesse em fazer acordo com esquerdista." Ela relembra a superioridade de cadeiras da direita em relação à esquerda na Casa: "Acho que a população não tá junto com eles. Tá junto com a gente. Não pretendo fazer aliança ideológica com ninguém".
Ela elenca o combate ao aborto, inclusive nas hipóteses previstas em lei, como sua principal pauta. Pretende, inclusive, usar parte das emendas impositivas a que terá direito durante o mandato para bancar "casas pró-vida", instituições voltadas a acolher mulheres em situação de vulnerabilidade e desestimulá-las de interromper a gravidez.
Antes da posse, o plano de Eduarda é fazer um "intensivão" nos corredores da Assembleia para mapear as comissões que pretende participar e as iniciativas que privilegiará durante a legislatura.
Ele elogiou a gestão do governador Tarcísio de Freitas, reeleito para mais um mandato à frente do Palácio dos Bandeirantes, mas disse que eventuais divergências com o gestor podem surgir, afinal, "Tarcísio é o governador, não meu marido."