A Polícia Federal investiga as condições de um financiamento de R$ 3,1 milhões concedido pelo Banco de Brasília (BRB) ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a compra de uma mansão em Brasília, segundo reportagem publicada pela Revista Fórum nesta quinta-feira, 1.
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O imóvel, localizado no Lago Sul, foi comprado em 2021 por cerca de R$ 6 milhões. Parte do valor, R$ 3,1 milhões, foi financiada pelo BRB. A operação previa pagamento em 360 parcelas, equivalentes a 30 anos.
Segundo a reportagem, a PF analisa documentos de uma auditoria interna contratada pelo BRB para verificar se Flávio Bolsonaro recebeu condições diferentes das praticadas normalmente pelo banco. A taxa efetiva contratada ficou em 3,71% ao ano, além da correção pela inflação. Documentos da época indicavam uma taxa de balcão de 4,85% para a operação.
A publicação afirma ainda que os investigadores apuram as circunstâncias da aprovação do financiamento durante a gestão de Paulo Henrique Costa na presidência do BRB. De acordo com a Fórum, Costa estava presente quando Flávio e a mulher, Fernanda Bolsonaro, assinaram documentos relacionados à compra do imóvel.
Outro ponto citado pela revista é a quitação antecipada do financiamento. Embora o contrato previsse prazo de 30 anos, a dívida teria sido paga em cerca de três anos. A reportagem afirma que essa movimentação também entrou no radar da investigação.
As condições do financiamento já haviam sido questionadas em 2021. Naquele ano, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios abriu procedimento para apurar se o empréstimo havia sido concedido dentro das condições normais oferecidas pelo BRB. O financiamento de R$ 3,1 milhões e as taxas previstas no contrato constavam de documentos públicos da operação.
À época, Flávio Bolsonaro afirmou que tinha outras fontes de renda além do salário de senador. Em manifestação apresentada à Justiça em 2022, sua defesa disse que ele atuava como advogado, empresário e empreendedor e que Fernanda exercia a odontologia.
O Terra procurou a Polícia Federal e Flávio Bolsonaro para comentar a investigação e aguarda retornos.