O governo dos EUA monitora a morte de uma pesquisadora de 28 anos de um instituto de peste bubônica na Rússia, vítima de pneumonia com suspeita da doença. Apesar do alarme inicial que levou ao isolamento de um hospital e ao rastreio de contatos na Sibéria, autoridades russas e órgãos de saúde afirmam que exames não detectaram patógenos ligados ao seu trabalho nem surto ativo. O secretário Marco Rubio declarou não ver motivo para pânico, ressaltando a vigilância sobre a contenção do caso.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira,5, que os EUA estão acompanhando de perto a morte de uma pesquisadora que trabalhava em um instituto que pesquisa peste bubônica na Rússia.
Rubio afirmou que não acredita que haja motivo para alarme pela situação, mas que os EUA estão cientes de que "a doença pode se espalhar rapidamente", apesar da quarentena e de outros protocolos de saúde pública que já foram aplicados pelas autoridades russas.
Uma pesquisadora do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na Rússia, morreu de pneumonia após uma suspeita de infecção por peste na sexta-feira, 2.
Darya Shipilova, de 28 anos, foi internada na última terça-feira, 29, no Hospital Distrital de Shelekhov, na região de Irkutsk, na Sibéria, e morreu três dias depois. A agência de notícias estatal russa TASS afirmou que ela foi diagnosticada com pneumonia de causa desconhecida.
Segundo a agência, o Serviço Federal de Supervisão da Proteção dos Direitos do Consumidor e Bem-Estar Humano da Rússia, conhecido como Rospotrebnadzor, disse que uma série de medidas especiais foi adotada após o caso e que exames ampliados de amostras da pesquisadora não identificaram microrganismos associados às suas atividades profissionais.
Inicialmente, Alexey Tsydenov, chefe da República da Buriátia, região vizinha a Irkutsk, afirmou em uma publicação nas redes sociais que Darya havia morrido de peste. No entanto, ele editou a postagem e disse que ela "possivelmente" havia morrido em razão da doença. Tsydenov também negou que houvesse um surto de peste na região.
A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis. Embora possa ser grave, a doença é tratável com antibióticos quando identificada e tratada precocemente.
Anna Popova, chefe do órgão regulador de saúde pública da Rússia, o Rospotrebnadzor, viajou para Irkutsk e se reuniu com o governador Igor Kobzev e outras autoridades na sexta.
Kobzev afirmou que todas as pessoas que tiveram contato com a mulher estão sob supervisão médica. Ele não especificou o tipo de infecção e se referiu ao caso como uma suspeita de "uma infecção particularmente perigosa". A Rospotrebnadzor estava implementando "uma gama completa de medidas antiepidêmicas", acrescentou ele.
Um ex-colega da pesquisadora, ouvido pela Radio Svoboda, afirmou que, inicialmente, os médicos acreditaram que ela estivesse com covid-19. No entanto, após a morte dela, todo o setor de internações do Hospital Distrital de Shelekhov, onde estão cerca de 114 pacientes, foi colocado em isolamento.
A Rospotrebnadzor informou no domingo que a mulher foi diagnosticada com "pneumonia de etiologia desconhecida", ou seja, de origem desconhecida, e afirmou que exames "exaustivos" não encontraram "nenhum microrganismo associado às atividades profissionais da paciente".
A agência também afirmou não ter constatado nenhum incidente no instituto "envolvendo microrganismos patogênicos".
Duas pessoas que estiveram em contato com a mulher tiveram resultado positivo para um vírus causador do resfriado comum e outras duas para a COVID-19, informou a agência, acrescentando que todos os demais testados apresentaram resultado negativo.
Questionado nesta segunda sobre o caso, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o público e a mídia deveriam acompanhar os comunicados oficiais da Rospotrebnadzor, em vez de "boatos ou especulações". A Rospotrebnadzor não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A Fábrica de Alumínio de Irkutsk, em Shelekhov, exigiu que os funcionários usassem máscaras como medida de precaução, disse seu diretor, Artyom Fominykh, no sábado, no Telegram, pedindo calma e acrescentando: "É melhor prevenir do que remediar".
A Organização Mundial da Saúde descreve a peste pneumônica como uma forma menos comum, porém grave, da peste - uma doença causada pela Yersinia pestis, uma bactéria geralmente encontrada em pequenos mamíferos e em suas pulgas.
"No caso de uma possível exposição em laboratório, seria normal identificar as pessoas que possam ter sido expostas e monitorá-las de acordo com o nível de risco avaliado", disse Malick Gibani, professor clínico associado de vacinologia bacteriana no Imperial College London.
A escala de qualquer programa de monitoramento dependeria "das circunstâncias da exposição e do número de pessoas potencialmente afetadas", afirmou Gibani em um comentário por escrito.
Ian Jones, professor de virologia da Universidade de Reading, disse que "a peste tem uma longa história e ainda está presente em muitas partes do mundo, incluindo a Rússia", embora, devido às condições de vida modernas e aos antibióticos, "seu potencial seja, portanto, limitado".
*Com informações da Associated Press (AP).
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