Empatados, Lula e Flávio ajustam tom para debate na Globo a 2 dias da eleição

Campanhas querem evitar uma repetição do embate no primeiro debate na Band

23 out 2026 - 05h40
Resumo
Tecnicamente empatados nas pesquisas a dois dias da eleição presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro ajustam suas estratégias para o último debate na TV Globo. Após a grande repercussão negativa do primeiro confronto, marcado pela falta de propostas, ambos buscam moderar o tom para conter a rejeição. Enquanto o petista foca em rebater ataques, recuperar a voz e explorar a pauta econômica do rival, o candidato do PL tenta se afastar da influência de Pablo Marçal e focar no eleitor indeciso.

BRASÍLIA - A apenas dois dias da eleição, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terão nesta sexta-feira, 23, o último debate na disputa pela Presidência da República. Os dois chegam à reta final tecnicamente empatados nas principais pesquisas de intenção de voto, com o senador numericamente à frente do presidente da República.

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Segundo apurou o Estadão/Broadcast, tanto Flávio quanto Lula trabalham com suas equipes para evitar um debate no mesmo tom do realizado no último domingo, 18, pela Band e pelo Estadão.

Candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)
Candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)
Foto: Wilton Júnior/Estadão e Evaristo Sá/AFP / Estadão

A avaliação das duas campanhas é que uma mudança de postura é necessária para evitar rejeição do eleitorado. A repercussão do primeiro confronto entre Flávio e Lula foi muito negativa. Comentaristas e analistas políticos criticaram a falta de discussão de propostas entre os dois candidatos. Grupos focais e pesquisas qualitativas feitas por institutos de pesquisa também indicaram insatisfação com a conduta dos candidatos, como mostrou o Estadão.

Lula recupera voz e estuda estratégias

O presidente Lula decidiu dedicar dois dias à preparação para o debate. Descartou viajar pelo País nesta quinta-feira, 22, e permaneceu no Palácio da Alvorada para discutir estratégias. A pausa também é uma oportunidade para recuperar a voz - a rouquidão característica do presidente tem piorado nos últimos dias por causa da intensa agenda de campanha.

A equipe do presidente sabe que ele precisa de um desempenho melhor na Globo se quiser alcançar uma virada histórica. Apesar de muitos integrantes da campanha de Lula usarem as atitudes de Flávio para justificar a repercussão negativa do debate da Band/Estadão, alguns admitem, reservadamente, que o presidente da República deixou de aproveitar algumas oportunidades no encontro.

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Uma das principais orientações dadas pela campanha do petista para o debate da Band/Estadão, que deve se repetir para o da Globo, é falar mais sobre a agenda de cortes de gastos defendida pela campanha de Flávio Bolsonaro. Também deve abordar mais o risco do armamento, como forma de ampliar a rejeição ao adversário por causa desses dois pontos. Por outro lado, os auxiliares de Lula querem que ele esteja mais preparado para rebater os ataques de Flávio no caso de Roberta Luchsinger e de outras investigações contra o petista.

A equipe de Lula destacou o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, para negociar com a Globo algumas mudanças no formato de debate. Conseguiu uma vitória: os candidatos serão impedidos de circular pelo palco enquanto o adversário estiver falando. Foi um pedido especial feito por Sidônio.

O ministro ficou muito incomodado com a estratégia de Flávio, durante o debate da Band/Estadão, de gesticular atrás de Lula enquanto o presidente falava.

Sidônio, porém, não conseguiu que a emissora carioca fizesse uma checagem ao vivo durante a transmissão do próprio debate. A Globo decidiu que uma equipe do G1, da divisão do "Fato ou Fake", fará a checagem e publicará no site de notícias do Grupo Globo.

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Flávio foca em propostas e em não fugir das perguntas

Flávio Bolsonaro também reservou dois dias para a preparação. Nesta quinta-feira, 22, em Brasília, esteve com integrantes de sua campanha e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Amanhã, 23, Flávio passará por outra rodada de treino, já no Rio de Janeiro.

Como mostrou a Coluna do Estadão, aliados do candidato do PL estão preocupados com a interferência do empresário e ex-coach Pablo Marçal e chegam a atribuir a ele parte da responsabilidade pela redução da vantagem que Flávio tinha em relação a Lula. Enquanto Flávio oscilou para baixo dentro da margem de erro, ficando com 52%, Lula reduziu sua rejeição em seis pontos, ficando com 47%.

Por conta do desgaste, a orientação é afastar o candidato dos conselhos do ex-coach. "Mais propostas e menos Marçal", resume um integrante da campanha, complementando que Flávio precisa conversar com o eleitorado sobre a vida real da população.

Aliados do senador divergem sobre a atitude que deve ser adotada: alguns consideram que o ele deve manter o tom elevado, com carga máxima contra Lula. Já outros sugerem que Flávio foque em uma postura mais "moderada" e se concentre em expor medidas de temas populares para tentar captar o voto indeciso e mais ao centro.

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A avaliação é que Flávio leva vantagem nas pautas de segurança e de economia, dada a insatisfação popular com a atuação do atual governo nessas duas frentes. O candidato do PL aposta no discurso de encarecimento dos alimentos e de insegurança nas ruas, principalmente para mulheres. Flávio deve também abordar a agenda social e reforçar que, se eleito, pretende manter o Bolsa Família.

Outra estratégia é seguir acusando o governo de Lula pelo viés de Lulinha, filho do presidente, e pelas fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - e não por escândalos antigos, como o Mensalão e o Petrolão. O senador deve seguir reproduzindo acusações feitas por Roberta Luchsinger sobre Lulinha.

O candidato do PL foi orientado também a ser mais assertivo nas respostas para evitar a impressão deixada no primeiro debate de que fugiu de assuntos como a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o uso de recursos do filme "Dark Horse", o alinhamento ao presidente argentino Javier Milei e a política de valorização do salário mínimo.

No debate da Band/Estadão, por exemplo, Flávio foi questionado várias vezes sobre se adotaria uma política semelhante à de Milei - mas se esquivou em todas, apesar de manter uma relação de apoio ao argentino.

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