BRASÍLIA - O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tratou sobre o financiamento do filme "Dark Horse" com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por intermediação de Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias. De acordo com mensagens divulgadas nesta quarta-feira, 27, pelo site Intercept Brasil, ele deu orientações sobre como facilitar o envio de dinheiro aos Estados Unidos para a produção sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos", disse Eduardo em mensagem para Miranda, conforme publicou o site.
"Meu receio é que você seja solícito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?", escreveu.
Eduardo também disse a Miranda que o corretor de Imóveis Altieris Santana estava à disposição para se reunir "com quem quer que seja". Santana é um dos controladores do Havengate Development Fund LP (fundo sediado no Texas), ao lado advogado Paulo Calixto - ligado a Eduardo.
Parte do valor de R$ 134 milhões negociado para filme entre a família Bolsonaro e Vorcaro foi transferida para esse fundo pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do dono do Master.
O Intercept Brasil procurou Altieris Santana, Paulo Calixto, Thiago Miranda e a defesa de Daniel Vorcaro, mas não recebeu respostas.
Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, quando foi ao país para tentar uma interferência do governo de Donald Trump no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro foi condenado na Corte a 27 anos e três meses de prisão.
A reportagem do Intercept esteve na casa em que o ex-deputado está morando nos EUA. O imóvel está localizado em Southlake, no Texas. O repórter foi atendido na residência por Heloísa, mulher de Eduardo Bolsonaro. Ela disse que o marido não estava em casa e que eles não dariam entrevista.
Na semana passada, Eduardo gravou um vídeo dizendo que havia comunicado à polícia sobre um homem que estava rondando a casa dele.
Eduardo Bolsonaro acusou o Intercept de "rondar" a casa onde vive no Texas após um repórter tocar a campainha do imóvel para pedir entrevista. Nossa equipe foi recebida por Heloísa Bolsonaro, esposa de Eduardo, que confirmou que a família mora na casa e recusou entrevista.… pic.twitter.com/QHqYQAMKHj
— Intercept Brasil (@TheInterceptBr) May 27, 2026
Ainda segundo o site, a residência tinha um anúncio de aluguel no valor de cerca de R$ 30 mil por mês até fevereiro de 2025. O imóvel, que tem quatro quartos e piscina, pertence o Bunce Family Trust, um fundo familiar privado registrado em nome dos administradores legais Christopher Bunce e Natalie Bunce, desde 2019. Eles não foram localizados pela reportagem.
PF investiga repasses de Vorcaro
Como mostrou o Estadão, a Polícia Federal investiga os acertos de pagamento entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, que pediu dinheiro ao banqueiro para o filme.
Uma das linhas de apuração a ser verificada é se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas ligado ao ex-deputado e usado para custear a permanência dele no país, já que o STF havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos nos EUA.
No último dia 14, Eduardo negou ter aplicado dinheiro no projeto e ser produtor-executivo da produção. "Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem", declarou, numa nota nas redes sociais.
No dia seguinte, num vídeo publicado também nas redes sociais, admitiu ter investido R$ 350 mil (cerca de 50 mil dólares) no longa, provenientes da receita obtida com a venda de um curso, e que posteriormente recebeu de volta essa quantia. Eduardo não esclareceu como e quem lhe pagou a restituição dos valores inicialmente destinados ao projeto.
Ele também reconheceu ter constado como produtor-executivo num contrato antigo com a produtora responsável pelo filme "Dark Horse", posição da qual teria saído posteriormente, ao se mudar para os Estados Unidos, limitando-se a ceder os direitos autorais - uma vez que foi representado por um ator no longa.