O desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, se emocionou nesta sexta-feira (17) ao discursar ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante evento na Fiocruz. Ainda com a voz embargada, ele passou o microfone para o presidente em meio a gritos de "fica" da plateia.
O caso ocorrem em visita de Lula às instalações da Carreta de Saúde da Mulher, montada na Escola Nacional de Saúde Pública, no Rio.
Couto citou a "Carreta da Mulher" (unidade móvel de saúde equipada para levar exames e consultas ginecológicas) como símbolo de "sensibilidade social".
Para ele, essa sensibilidade deveria orientar quem ocupa a chefia do Executivo, assim como orienta os magistrados na hora de julgar.
O governador interino também agradeceu ao governo federal pela assinatura do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que prevê renegociação da dívida dos Estados com a União.
O Rio deve hoje cerca de R$ 200 bilhões à União, e a adesão ao programa, autorizada pelo governo federal em maio, permite ao estado reduzir o pagamento mensal médio da dívida. Segundo Couto, o presidente exigiu, "no bom sentido", que a economia gerada pelo acordo fosse destinada a políticas sociais, principalmente nas áreas de educação e saúde.
Foi ao dizer que não tinha "cancha política", mas tinha "sensibilidade", que a voz do governador embargou. "Às vezes, eu me emociono", afirmou, antes de agradecer ao presidente e passar o microfone a Lula.
Couto assumiu o governo do Rio de forma interina em razão de uma sucessão marcada por instabilidade. O ex-governador Cláudio Castro renunciou ao cargo às vésperas de sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornaria inelegível por abuso de poder político e econômico e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022.
Antes disso, o vice-governador Thiago Pampolha já havia deixado o posto em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas estadual. O próximo na linha sucessória, o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, havia sido afastado do cargo em dezembro de 2025 e estava preso preventivamente, com o mandato cassado.
Diante da vacância simultânea de governador, vice e presidência da Alerj, a chefia do Executivo coube ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, cargo ocupado por Couto.