Diretor da AtlasIntel vê migração de votos de Cury para Flávio e diz que eleição deve ter mais abstenções do que há 4 anos

Para Yuri Sanches, perda de força de outros candidatos devolveu eleitores aos dois líderes; especialista também prevê maior abstenção

30 set 2026 - 04h57
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro lideram as pesquisas de intenção de voto à Presidência.
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro lideram as pesquisas de intenção de voto à Presidência.
Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão / Estadão

A concentração das intenções de voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) avançou na reta final da eleição, enquanto as demais candidaturas perderam espaço. A avaliação é de Yuri Sanches, head de análise política e risco político da AtlasIntel, instituto responsável pela pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira, 29.

No levantamento, Lula aparece com 46,2% dos votos válidos no primeiro turno, ante 43,1% de Flávio. Renan Santos (Missão) tem 5,3%, Augusto Cury (Avante), 2,1%, Ronaldo Caiado (PSD), 1,8%, e Romeu Zema (Novo), 0,9%. A pesquisa ouviu 5.005 eleitores entre 23 e 28 de setembro e tem margem de erro de um ponto porcentual. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-04391/2026.

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Para Sanches, os números mostram uma “consolidação das intenções de voto entre os dois primeiros colocados” e uma “desidratação relevante” das alternativas a Lula e Flávio. Na avaliação dele, o petista está próximo de um piso eleitoral entre 45% e 46% dos votos válidos, ainda abaixo do desempenho obtido no primeiro turno de 2022.

Na eleição passada, Lula recebeu 48,43% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro (PL) teve 43,20%. Flávio, portanto, aparece hoje em um patamar próximo ao alcançado pelo pai há quatro anos.

Sanches atribui parte da consolidação de Flávio ao crescimento entre eleitores de direita que não estavam inicialmente alinhados à candidatura do senador. 

Escritor Augusto Cury (Avante)
Foto: Reprodução/Instagram/@augustocury

Esvaziamento da "terceira via"

O movimento ocorreu ao mesmo tempo em que candidaturas menores perderam espaço. Sanches destaca o caso de Augusto Cury, que chegou a avançar entre grupos diferentes do eleitorado.

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“O Cury até então foi o primeiro e único candidato que conseguiu dialogar com as duas bases, a base do presidente Lula e a base do Flávio Bolsonaro”, afirmou. Segundo ele, o escritor conquistou parte do eleitorado conservador insatisfeito com Flávio, mas também avançou entre mulheres, nordestinos e eleitores de menor renda e escolaridade, segmentos nos quais Lula tem maior presença eleitoral.

Com a queda de Cury, esses votos começaram a retornar aos candidatos dos quais haviam migrado, segundo Sanches. “O que era do Flávio foi para o Cury e retorna. O que estava com Lula também retorna para ele.”

O analista afirma que a transferência dos eleitores de Caiado e Zema tem ocorrido de forma mais concentrada para Flávio. Já Renan Santos mantém, segundo ele, um grupo mais estável, na faixa de 4% a 5% das intenções de voto. Na pesquisa desta terça, o candidato do Missão registra 5,3% dos votos válidos.

Esse eleitorado pode ganhar importância em um eventual segundo turno. Sanches afirma que parte dos eleitores de Renan declara atualmente que não votaria nem em Lula nem em Flávio. Ele pondera, porém, que a decisão manifestada antes do segundo turno pode mudar quando o eleitor estiver diante da escolha efetiva.

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A pesquisa Atlas/Bloomberg mostra Flávio com 47,7% e Lula com 47,6% em uma simulação de segundo turno. Outros 4,8% dizem que votariam em branco, anulariam ou não sabem em quem votar. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro do levantamento.

Urna eletrônica
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

Abstenção pode crescer ainda mais que 2022

Outro ponto destacado por Sanches é a possibilidade de crescimento da abstenção. Para ele, a campanha encontra um eleitorado menos mobilizado e cansado da polarização entre os dois principais campos políticos.

“Há um desinteresse pela eleição. Então, o grande desafio tanto de Lula quanto de Flávio vai ser mobilizar não apenas o seu eleitorado, mas principalmente o eleitorado que potencialmente poderia votar por ele, não por apreço ao que ele representa, mas por rejeição ao outro.”

No primeiro turno de 2022, a abstenção chegou a 20,95%, com 32,8 milhões dos 156,5 milhões de eleitores aptos deixando de comparecer às urnas. Sanches avalia que o índice tende a crescer neste ano diante do que classifica como uma maior desmobilização do eleitorado.

"Meio ponto percentual" pode definir disputa

Para o analista, esse cenário também torna mais difícil antecipar o desfecho da eleição. As duas principais candidaturas despertam menos entusiasmo do que em disputas anteriores e que crises de imagem próximas à votação podem ganhar peso na decisão do eleitor.

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“A candidatura do Flávio não gera um entusiasmo, uma empolgação do eleitor de direita. A candidatura do Lula já não é mais o Lula dos primeiros dois mandatos, não é o Lula do retorno triunfal de 2022”, argumentou.

Sanches avalia que a margem entre os dois candidatos em um eventual segundo turno pode ser ainda menor que a registrada há quatro anos. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,9% a 49,1% dos votos válidos, uma diferença de 1,8 ponto porcentual.

“A gente prevê que quem quer que vença no segundo turno vai ser por uma diferença menor do que aconteceu em 2022”, explica Sanches. Segundo ele, a distância entre os dois poderia chegar a cerca de meio ponto porcentual.

Para o analista, o grau de incerteza também está relacionado ao peso da rejeição e à possibilidade de fatos negativos alterarem o comportamento do eleitorado nos últimos dias. “É uma eleição difícil de se prever a dinâmica.”

Fonte: Portal Terra
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