Debate em MG tem discussões sobre isenções fiscais, segurança, dívida e intervenção na economia

Candidatos também discutiram alianças nacionais

30 set 2026 - 00h21
Resumo
O debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais teve como temas centrais a dívida pública, benefícios fiscais e segurança. Patrus Ananias defendeu renegociar débitos com a União e rever isenções, enquanto Flávio Roscoe sustentou os incentivos para atrair investimentos. A segurança gerou confrontos ríspidos entre Mateus Simões e Cleitinho Azevedo, que também pregou menor intervenção do Estado na economia. Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo debateram presídios, transporte e saúde.

A dívida de Minas Gerais, as isenções fiscais, a segurança pública e a intervenção na economia concentraram os principais embates econômicos no debate entre os candidatos ao governo mineiro promovido pela TV Globo nesta terça-feira, 29.

Ao longo do primeiro bloco, Patrus Ananias (PT) defendeu uma nova negociação da dívida estadual com o governo federal caso seja eleito e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquiste novo mandato, enquanto Flávio Roscoe (PL) contestou a proposta do petista de rever benefícios tributários. Segurança pública e ataques ao PT também dominaram parte do bloco.

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Questionado por Roscoe sobre a situação fiscal do Estado, Patrus afirmou que Minas tem uma dívida de aproximadamente R$ 200 bilhões e disse que pretende negociar uma ampliação do prazo para pagamento. "O presidente Lula, sendo reeleito, como nós esperamos, e, se nós ganharmos o governo de Minas, nós vamos fazer acertos nesse sentido de prorrogarmos um pouco mais o prazo dessa dívida. Vamos pagá-la", afirmou.

O petista também disse que pretende acabar com parte das isenções fiscais concedidas pelo Estado, que estimou em mais de R$ 25 bilhões, citando benefícios destinados a "pessoas ricas que podem pagar". "Quem pode mais, paga mais. Quem pode menos, paga menos. Quem não pode, não paga", afirmou.

Roscoe rebateu Patrus e disse que os incentivos fiscais foram utilizados para atrair investimentos para Minas e ampliar a arrecadação. Segundo o candidato do PL, a retirada dos benefícios não seria uma solução para as contas estaduais. Ele defendeu, em vez disso, destravar investimentos e estimular empreendimentos para gerar receita.

Em outro confronto, Mateus Simões (PSD) nacionalizou o embate ao atacar o PT durante uma discussão com Patrus sobre cultura e turismo. Simões classificou a legenda como "muito boa de conversa" e "muito ruim de serviço" e afirmou que o partido quer "nutrir a pobreza" para continuar "abusando das regiões mais pobres do Estado". Também disse ser a alternativa para impedir Patrus de chegar ao segundo turno.

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A segurança pública provocou uma das trocas mais duras do bloco. Simões acusou Cleitinho Azevedo (Republicanos) de não destinar recursos de emendas parlamentares para a área. Cleitinho respondeu que investimentos em segurança são responsabilidade do governo estadual e afirmou que servidores do setor fazem campanha contra Simões. Na sequência, chamou o adversário de "arrogante" e "prepotente" e disse que ele estaria utilizando uma proposta sua de monitoramento contra o crime organizado.

Cleitinho também prometeu conceder reajuste inflacionário anual a todas as categorias do funcionalismo estadual durante discussão com Gabriel Azevedo (MDB). O candidato do MDB citou sua passagem pela presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte e afirmou que ajudou a conceder reajuste acima da inflação aos servidores da Casa.

Em outro embate sobre segurança, Gabriel Azevedo cobrou Alexandre Kalil (PDT) sobre bloqueadores de celular em presídios. Kalil disse que a prioridade deveria ser recompor o efetivo policial e melhorar as condições das corporações. Questionado sobre a quantidade de presídios no Estado, admitiu não saber o número exato. Azevedo afirmou que Minas tem "quase 200 presídios" e que menos de cinco contam com bloqueadores, e prometeu instalar o equipamento em todas as unidades.

Kalil também discutiu transporte público com Roscoe e defendeu melhorar o serviço "com menos subsídio e menos aumento". Roscoe afirmou que é possível ampliar pontualmente o horário de determinadas linhas, mas defendeu que isso seja feito dentro de uma "lógica econômica", evitando colocar ônibus vazios em circulação.

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No segundo bloco, os candidatos também trocaram críticas sobre gestões anteriores, alianças políticas e propostas apresentadas durante a campanha.

Gabriel Azevedo (MDB) abriu uma das discussões ao questionar Patrus sobre a Escola Plural e afirmar que uma eventual ida do petista ao segundo turno abriria caminho para Cleitinho Azevedo (Republicanos) chegar ao governo. Patrus respondeu que o programa não integra seu plano para Minas e afirmou que pretende priorizar educação básica e universidades. "Não estou aqui para prestar contas do que fiz em Belo Horizonte", disse.

Na sequência, também rebateu críticas à gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT). "Não estou aqui como advogado do ex-governador Pimentel", afirmou. O petista disse que seus adversários recorrem ao ex-governador porque, segundo ele, "não têm nada para falar" de suas propostas.

Em outro embate, Cleitinho defendeu menor intervenção estatal na economia. "O Estado, o mínimo que tem de fazer, é não dificultar", afirmou. O candidato disse que o poder público é "fonte de despesa" e que a geração de renda cabe aos empreendedores, além de defender "liberdade de trabalho" para o agronegócio. "Eu posso ser de direita, mas meu coração social é para todos", acrescentou.

Cleitinho também discutiu com Flávio Roscoe sobre impostos e a composição política das candidaturas. Roscoe criticou a proposta de zerar o IPVA, classificando-a como "show midiático", e afirmou que não fez acordo com partidos de centro que implicasse abrir mão de princípios que considera importantes para a direita. "As pessoas que nós vamos governar vão ser todas, não só as de direita", afirmou.

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Saúde e gestão estadual encerraram outra sequência de confrontos. Mateus Simões acusou Cleitinho de "torcer contra" o governo para produzir vídeos e afirmou que a gestão Zema-Simões entregou 400 Unidades Básicas de Saúde no Estado, além de destacar a construção de hospitais. Kalil rebateu: "Não adianta colocar parede em pé e dizer que fez hospital. O que custa no hospital é gente", ao defender melhores condições para os profissionais da saúde.

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