Dirceu diz que PT aposta em alianças no Sudeste para garantir reeleição de Lula

Em entrevista à CNN, ex-ministro da Casa Civil detalhou composições em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e defendeu manutenção da chapa com Alckmin

12 mar 2026 - 21h59

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) classificou, nesta quarta-feira, 12, o Sudeste como ponto decisivo para a reeleição do presidente Lula (PT). "A eleição se decide aqui no Sudeste", disse, em entrevista ao programa CNN 360°.

O ex-deputado reconheceu que a disputa será acirrada. "Nós nunca tivemos ilusão que essa eleição seria uma eleição ganha ou o presidente Lula estaria reeleito. Não existe isso no Brasil", afirmou.

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Citou 2014 e 2022 como precedentes de disputas equilibradas. "Essa eleição vai ser resolvida nos próximos meses. Não tá resolvida."

São Paulo

Dirceu tratou como definida a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo e a de Simone Tebet ao Senado pelo Estado. Para a segunda vaga no Senado e a composição da chapa ao governo, mencionou Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB).

Defendeu que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) permaneça na chapa presidencial e priorize a campanha paulista.

Ele disse que uma composição entre Haddad (PT), Simone Tebet (MDB), Marina Silva, Márcio França ou outro nome do interior, com apoio do vice-presidente Geraldo Alkmin, vai disputar eleição de igual para igual com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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Chamou a aliança Lula-Alckmin de "um contrato, um pacto que nós fizemos com a maioria da sociedade brasileira para eleger o Lula" e pediu para que fosse mantida.

José Dirceu em evento comemorativo dos 45 do PT, na região portuária do Rio de Janeiro em 2025
José Dirceu em evento comemorativo dos 45 do PT, na região portuária do Rio de Janeiro em 2025
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Outras regiões

Em Minas Gerais, relatou negociações com o senador Rodrigo Pacheco (PSD), a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). "Há outras opções, mas eu acredito que é uma chapa consistente", disse.

No Rio de Janeiro, indicou a aliança com Eduardo Paes (PSD) e Benedita Silva (PT) ao Senado como base da campanha de Lula no Estado. Segundo Dirceu, as composições nos quatro Estados do Sudeste são suficientes para fazermos uma campanha do Lula na região.

No Sul, avaliou que o PT tem margem para crescer. "A direita está em guerra aberta no Paraná, em guerra aberta em Santa Catarina. Nós temos uma chapa poderosa e forte no Rio Grande do Sul", disse.

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No Centro-Oeste e no Norte, admitiu cenário mais difícil: "Podemos empatar ou perder por pouco no Centro-Oeste."

Sobre a capacidade do PT de competir em todo o País, disse: "Nós temos capacidade, experiência para isso e temos apoio e base eleitoral para disputar essa eleição de igual para igual, no mínimo."

Flávio Bolsonaro e a oposição

O ex-ministro disse que o PT não subestima a oposição, mas tratou de enquadrar a disputa como um confronto entre dois projetos de País. "A oposição vai propor desvincular o salário mínimo da Previdência, reduzir os investimentos com fim do teto da saúde, da educação, privatizar a Previdência, porque não é isso que o Brasil precisa", afirmou.

Também vinculou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao alinhamento com o governo de Donald Trump. "O Flávio Bolsonaro vai governar o Brasil apoiando o Trump, apoiando que se bombardeie o Brasil para combater organizações terroristas. O Brasil é um país de paz", disse.

Sobre a estratégia do PL de usar a pauta contra o STF como eixo das campanhas ao Senado, Dirceu disse que candidatos deveriam tratar dos problemas concretos de seus Estados. "A oposição não elegerá a maioria no Senado. Essa ideia que a oposição vai eleger em São Paulo os dois senadores não é real, nem no Rio, nem em todo o Nordeste. Isso é propaganda."

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Banco Master e aprovação do governo

Perguntado sobre a queda na aprovação do governo, Dirceu respondeu com foco na política econômica. Defendeu a contenção dos preços de combustíveis diante da crise internacional e cobrou investimentos em refino e fertilizantes para reduzir a dependência externa.

O ex-ministro rejeitou a tese de que o escândalo do Banco Master contribui para o desgaste do governo nas pesquisas.

Disse que os nomes ligados ao caso não têm relação com o PT e citou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil)entre os envolvidos nas apurações.

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