O último debate para o governo do Paraná, promovido pela RPC entre Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho, foi marcado pela forte nacionalização da disputa e acusações mútuas. Os candidatos confrontaram-se sobre corrupção, STF e as figuras de Lula e Bolsonaro, além de temas locais como obras viárias. Líder nas pesquisas com 36%, Moro foi alvo de críticas sobre a Lava Jato e o PL, enquanto Sandro, apoiado por Ratinho Junior, e Requião, alinhado ao PT, empatam na vice-liderança com 20% cada.
O último debate antes do primeiro turno da eleição para o governo do Paraná reuniu nesta terça-feira, 29, Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), a poucos dias da votação de 4 de outubro. Promovido pela RPC, afiliada da TV Globo, o confronto foi marcado pela nacionalização da disputa, com sucessivas referências a Lula, Flávio, Jair Bolsonaro e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Logo nos primeiros minutos, Moro e Sandro trocaram acusações. O senador acusou o adversário de divulgar "fake news", reafirmou seu apoio a Flávio e tentou associar Sandro a Lula. Ao explorar a ligação do candidato do PSD com o atual governador, principal apoiador de sua campanha, disparou: "Você não é Ratinho Junior".
Sandro rebateu explorando o rompimento de Moro com o governo Jair Bolsonaro e questionou o senador sobre um suposto voto favorável à indicação de Flávio Dino ao Supremo. Moro negou e afirmou ter votado também contra Cristiano Zanin e Jorge Messias. Alex ainda cobrou o adversário sobre os pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. "Por que você não cobrou Davi Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment?", questionou. O embate levou os dois candidatos a pedirem direito de resposta.
Mesmo quando a discussão avançou para temas estaduais, as referências nacionais permaneceram. Moro questionou a atuação de Sandro, ex-secretário de Infraestrutura do Paraná, e relacionou a prioridade dada à Rodovia Municipal 415 ao resort Tayayá, citando as ligações do empreendimento com a família do ministro Dias Toffoli e o caso Banco Master. Sandro classificou a acusação como mentira.
Requião Filho, por sua vez, questionou Moro sobre a relação com um eventual novo governo Lula e, ao abordar políticas de combate à violência contra a mulher, voltou a citar Flávio e Jair Bolsonaro. "Nós temos aqui o discurso de proteção à mulher. Mas o candidato a presidente do Sergio Moro diz que mulher não sabe votar e não deveria votar. O pai desse candidato falou que teve uma filha mulher no momento de uma fraquejada. Isso, para mim, não é respeito com a mulher", afirmou.
A corrupção passou ao centro do confronto no segundo bloco. Requião questionou a filiação de Moro ao PL, comandado por Valdemar Costa Neto. Moro respondeu que o dirigente partidário não teria espaço em um eventual governo seu no Paraná. "O Valdemar não vai governar o Paraná, eu vou governar o Paraná", afirmou.
Moro então levou o embate para a CPMI do INSS e citou a quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. "Nós identificamos, sabe o que, Requião? Indícios suspeitos de Lulinha está envolvido nesse escândalo do roubo dos aposentados", disse. Requião rebateu destacando denúncias que apresentou como deputado estadual e criticou a proposta do adversário de criar uma agência estadual anticorrupção. "No combate à corrupção, tem a prática e tem o discurso", afirmou.
Ainda no segundo bloco, Sandro voltou à atuação de Moro como juiz da Lava Jato e às condenações de Lula posteriormente anuladas pelo STF. O candidato do PSD afirmou que haveria duas possibilidades: ou o trabalho de Moro teria sido "incompetente", ou Lula seria inocente e o então juiz não teria conseguido provar o contrário. Moro rebateu dizendo que Lula "jamais foi inocentado pelos tribunais" e atribuiu a anulação das condenações a uma "reviravolta política" no combate à corrupção.
A disputa ocorre ainda sob forte influência do governador Ratinho Junior (PSD), cuja gestão é aprovada por 79% dos eleitores, de acordo com a Quaest. Ex-secretário de Infraestrutura do Estado, Sandro Alex se apresenta como candidato da continuidade e conta com o apoio direto do governador. Requião Filho, deputado estadual, tenta ocupar o espaço de principal oposição ao atual modelo, sobretudo nas críticas à privatização da Copel e à política educacional, e conta com o apoio de Lula e do PT no Estado.
Já Sergio Moro, senador pelo Paraná, busca sustentar a liderança nas pesquisas com uma campanha centrada em segurança pública e combate à corrupção e, na disputa nacional, está alinhado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). "Não farei isso",
Na mais recente pesquisa Quaest sobre a eleição paranaense, divulgada em 24 de setembro, Moro aparece com 36% das intenções de voto. Requião Filho e Sandro Alex têm 20% cada e estão empatados na segunda colocação. O levantamento ouviu 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de setembro e tem margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos.
O cenário também mostra avanço de Sandro Alex na reta final da campanha. Na rodada anterior da Quaest, divulgada em agosto, Moro tinha 37%, Requião Filho aparecia com 21% e Sandro registrava 15%. Em julho, Sandro tinha 7%, contra 18% de Requião e 39% de Moro.
O debate será dividido em quatro blocos. Nos três primeiros, os candidatos farão perguntas entre si sobre temas livres. Em cada bloco, cada participante terá direito a formular uma pergunta e também deverá responder uma vez, de forma que todos perguntem e sejam questionados ao longo do programa. O quarto e último bloco será dedicado às considerações finais, com três minutos para cada candidato.