BRASÍLIA - A conversa final para definir o futuro eleitoral da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ocorrer logo após o carnaval. Aliados da ex-senadora temem que ela perca o timing de se lançar candidata caso a decisão se arraste por mais algumas semanas.
Tebet já afirmou publicamente que colocou seu futuro eleitoral nas mãos de Lula. A preferência da ministra é disputar novamente uma vaga no Senado Federal, seja por São Paulo, seja por seu Estado natal, Mato Grosso do Sul.
A avaliação de interlocutores próximos é que as especulações sobre uma eventual candidatura ao Senado por São Paulo a fortaleceram, com reflexos positivos em pesquisas locais em Mato Grosso do Sul. Sem uma definição, porém, o timing eleitoral pode ser perdido.
Lula tem citado o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet como potenciais candidatos aos cargos em disputa em São Paulo - duas vagas ao Senado e o governo do Estado.
Alckmin e Haddad largariam na frente da ministra, que também tem sido mencionada como possível candidata a vice, caso o ex-governador de São Paulo não integre a chapa presidencial. Internamente, a avaliação é de que dificilmente o MDB aceitaria compor como vice em uma chapa petista em outubro, o que diminui as chances de Tebet assumir esse papel neste momento. Ela não estaria inclinada a mudar de partido como "Plano A", embora já tenha sido sondada por outras siglas, como o PSB, de Alckmin.
No MDB, a análise é de que há maioria favorável à neutralidade e de que a legenda não suportaria um racha nacional, correndo o risco de perder espaço, como ocorreu com o PSDB.
Por outro lado, no governo há o sentimento de que Haddad não teria como recusar um eventual pedido de Lula para disputar novamente algum cargo em outubro, apesar de sua resistência.
Nas conversas com aliados, Lula tem tratado do processo eleitoral, mas ainda sem pressa para definir os movimentos que fará. Integrantes do entorno presidencial consideram o pleito delicado, mesmo com os bons números do governo.
Para eles, a definição de palanques estratégicos, como São Paulo, e do candidato a vice será determinante para o sucesso da campanha e deveria ocorrer antes mesmo das convenções partidárias, quando as candidaturas são oficializadas.