Condenado por morte de jovem e médico: quem é deputado suspeito de desviar emendas Pix

Deputado federal Eduardo Velloso (União-AC) é um dos principais alvos da Operação Graco, deflagrada pela Polícia Federal

29 jan 2026 - 12h42
(atualizado às 13h23)
Deputado federal Eduardo Velloso é suspeito de desviar emendas Pix
Deputado federal Eduardo Velloso é suspeito de desviar emendas Pix
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Polícia Federal deflagrou em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) nesta quinta-feira, 29, a Operação Graco, que tem como principal alvo o deputado federal Eduardo Velloso (União-AC). Ele é suspeito de desviar emendas parlamentares para contratação de shows no interior do Acre. 

Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Acre e no Distrito Federal. De acordo com a PF, as investigações apuram possíveis irregularidades na contratação de uma empresa responsável por shows musicais financiados pela Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira, em setembro de 2024. 

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As investigações apontam um desvio de recursos no valor de R$ 912 mil, provenientes de emendas Pix, modalidade que permite repasses diretos da União, sem convênios ou prestação de contas prévia. Os suspeitos estão sendo investigados pelos crimes de associação para organização criminosa, de fraude em licitação, de corrupção, de lavagem de dinheiro e outros delitos acessórios. 

Quem é Eduardo Velloso

Apontado como principal alvo da Operação Graco, o deputado federal Eduardo Velloso, de 49 anos, nasceu em Rio Branco (AC). Formado em Medicina, ele se especializou em oftalmologia, onde fez carreira antes de ser eleito em 2022 com 16.786 votos. Eduardo também é filho de um médico influente na capital acreana. 

Em 2019, ele foi indiciado no caso Maicline Borges, jovem que morreu aos 26 anos durante uma colisão entre motos aquáticas no Rio Acre. Na época, Maicline estava em uma moto aquática conduzida pelo empresário Otávio Costa, enquanto sua irmã estava em outra, pilotada por Eduardo Velloso. Durante o acidente, a vítima teve uma de suas pernas arrancadas antes de vir a óbito.

Três meses depois, Velloso foi indiciado pela Polícia Civil do Acre por homicídio culposo e lesão corporal. Mesmo com o Ministério Público do Acre (MPAC) tendo oferecido uma denúncia, o médico acabou firmando um acordo de não persecução penal. 

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O acordo de não persecução penal é aplicado para crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, cuja pena mínima seja inferior a 4 anos. Para que seja firmado, é necessário que o investigado confesse a prática do crime e aceite cumprir todas as condições estipuladas pelo Ministério Público. Com o acordo, a ação criminal foi encerrada. 

Em julho de 2024, ele foi condenado a pagar R$ 100 mil por danos morais mais pensão alimentícia para o filho de Maicline, até a criança completar 18 anos ou 23 anos, caso curse ensino superior. Além disso, ficou acordado que a irmã da vítima, Hinauara Borges, receberia danos morais no valor de R$ 40 mil, mais R$ 16.640 para tratamento psicológico, totalizando R$ 56.640. 

No entanto, a família entrou com um recurso por não concordar com os valores estabelecidos pela Justiça. Em agosto de 2025, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) decidiu aumentar os valores pagos ao filho e a irmã da vítima. 

Com a nova decisão, ficou estabelecido que o filho de Maicline será indenizado por danos morais no valor de R$ 320 mil e 2/3 do salário mínimo até que ele complete 25 anos. Para Hinauara, deverá ser pago danos morais no valor de R$ 140 mil.

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O que diz o deputado

Em nota ao Terra, a assessoria do deputado federal Eduardo Velloso informou que a destinação das emendas parlamentares "seguiu rigorosamente os trâmites legais previstos na legislação vigente" e que a responsabilidade pela execução, contratação de serviços e fiscalização da aplicação do dinheiro público é exclusiva da gestão municipal.

"Eduardo Velloso reforça que sempre atuou com transparência, responsabilidade e respeito às instituições, e se coloca à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiante de que os fatos serão devidamente apurados e esclarecidos no curso da investigação", disse.

Leia a nota na íntegra:

O deputado federal Eduardo Velloso informa que tomou conhecimento, nesta quinta-feira (29), da operação deflagrada pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), que apura a aplicação de recursos oriundos de emenda parlamentar destinada ao município de Sena Madureira.

O parlamentar esclarece que a destinação da emenda seguiu rigorosamente os trâmites legais previstos na legislação vigente. Após a transferência dos recursos ao município, a responsabilidade pela execução, contratação de serviços e fiscalização da aplicação do dinheiro público é exclusiva da gestão municipal, não cabendo ao deputado qualquer ingerência sobre esses procedimentos.

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Eduardo Velloso reforça que sempre atuou com transparência, responsabilidade e respeito às instituições, e se coloca à inteira disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiante de que os fatos serão devidamente apurados e esclarecidos no curso da investigação.

O deputado reafirma sua convicção de que agiu dentro da legalidade e reitera seu compromisso com o uso correto dos recursos públicos, o fortalecimento do controle institucional e a plena colaboração com a Justiça.

Fonte: Portal Terra
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