BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, convocou uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, 16, com a presença da cúpula da Polícia Federal para falar sobre a quarta fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. Lima e Silva afirmou que a entrevista foi uma solicitação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Lula.
Na prática, diante do prejuízo que escândalos de corrupção têm causado à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a um novo mandato, a ordem no Palácio do Planalto e no PT é mostrar que o presidente tem feito tudo para combater qualquer tipo de fraude. É nessa lista que se encaixa o escândalo do Banco Master.
No momento em que as pesquisas de intenção de voto indicam uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, o governo vai bater na tecla de que as investigações de corrupção foram abertas por essa gestão, e não pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, atingindo agora o "andar de cima".
"A Secretaria de Comunicação é o órgão do governo que tem a sensibilidade de perceber a intensidade das demandas e sempre que formos instados para prestar informações à imprensa, que desempenha um papel fundamental em nossa sociedade democrática, nós prestaremos essas informações nos limites daquilo que for possível", afirmou o ministro da Justiça.
Lima e Silva destacou que a pasta comandada por ele não não faria "espetacularização" nem ultrapassaria os limites legais na divulgação dessas informações.
A investigação do caso é sigilosa, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tornou pública a decisão que decretou a prisão de Paulo Henrique. Em despacho anterior, porém, Mendonça havia assinalado que o teor da investigação deve ser mantido sob sigilo pelos delegados do caso e compartimentado, sem o repasse de informações para os superiores hierárquicos.
O titular da Justiça enfatizou que a ação da Polícia Federal faz parte de iniciativas do governo federal de combate a crimes financeiros e também escalou um secretário da pasta, Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, para defender as ações da administração Lula.
"Essa operação é dentro desse contexto e dentro dessa diretriz do presidente Lula, de atacar o andar de cima e os magnatas do crime com a independência necessária para a Polícia Federal atuar", disse o secretário.
Pouco antes, o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, havia afirmado que o governo Lula não vai socorrer o BRB. "Eu sou radicalmente contrário a socorrer o BRB. Quando vi a notícia, pensei: 'Será que prenderam o Ibaneis?", fustigou ele, em café da manhã com jornalistas, numa referência ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
Participaram da entrevista coletiva o diretor-executivo da PF, William Murad, e o diretor de Combate ao Crime Organizado, Dennis Calli. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, está em viagem ao exterior.
Todos se limitaram a traçar um panorama geral da Operação Compliance Zero e citar dados da decisão da quarta fase.
"Temos o levantamento do sigilo em relação a algumas partes das operações, mas nós temos limitações para entrar em detalhes específicos sobre isso. O foco foi a corrupção dos gestores e todo o esquema de lavagem de dinheiro decorrente desses atos de corrupção. Esse é um ponto relevante que se conecta com a primeira fase e com todo o esquema criminoso", afirmou Murad.