Campanha de Lula aciona TSE contra Flávio Bolsonaro por propaganda sobre preço da carne

Coligação afirma que senador descontextualizou falas do presidente sobre alimentos e pede retirada de conteúdo e proibição de novo impulsionamento; 'Estadão' procurou a campanha de Flávio Bolsonaro

22 set 2026 - 10h33
Resumo
A campanha de Lula acionou o TSE contra o senador Flávio Bolsonaro por veicular propaganda eleitoral com falas descontextualizadas do petista sobre o preço da carne e o consumo de ovos. A representação aponta montagem enganosa e questiona o gasto de R$ 105 mil em impulsionamentos pagos no Facebook e Instagram. A chapa pede a remoção urgente das publicações sob pena de multa diária, além da proibição de novos anúncios com conteúdo idêntico.

A Coligação "Brasil pronto pra mais", da chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira, 21, contra uma propaganda eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL).

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A representação questiona um vídeo publicado pelo candidato do PL nas redes sociais em que, segundo a coligação, uma fala de Lula sobre o preço da carne foi retirada de contexto para sugerir que o presidente teria defendido a substituição da carne por ovos diante da alta no preço de alimentos. O Estadão procurou a campanha de Flávio Bolsonaro para se manifestar sobre o assunto. O espaço está aberto para manifestação.

De acordo com a representação, o vídeo foi publicado por Flávio em 13 de agosto de 2026, no Facebook e no Instagram, com a legenda: "Quanto tá a picanha na sua cidade? Coloque o preço nos comentários!". Segundo a campanha de Lula, a peça reúne declarações do presidente feitas em momentos distintos.

Coligação de Lula afirma que propaganda de Flávio descontextualizou falas do presidente.
Coligação de Lula afirma que propaganda de Flávio descontextualizou falas do presidente.
Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão / Estadão

No primeiro trecho, de sete segundos, identificado como "14 DE MARÇO DE 2025 - EXPECTATIVA", o presidente afirma: "A carne vai baixar, vocês podem ter certeza que vocês vão voltar a comer picanha outra vez, porque a carne vai baixar". Na sequência, sob a indicação "11 DE SETEMBRO DE 2026 - REALIDADE", é exibida outra fala de Lula sobre a alta dos alimentos, na qual ele menciona os preços da carne e do café e afirma: "Se não tem carne, a gente come ovo".

Para a coligação, a montagem cria uma interpretação equivocada ao apresentar as duas declarações como uma promessa seguida da recomendação de que os brasileiros substituíssem carne por ovo.

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A representação sustenta que, no segundo discurso, Lula não teria sugerido essa troca, mas defendido a valorização do salário mínimo como forma de ampliar o poder de compra da população. A chapa afirma ainda que o conteúdo busca associar o presidente a uma suposta indiferença em relação ao custo dos alimentos.

Além da alegação de irregularidade no conteúdo, a coligação questiona o uso de impulsionamento pago. Segundo a representação, o material foi divulgado em quatro versões de anúncios no Facebook e no Instagram entre 13 e 18 de setembro. O documento aponta gastos de R$ 35 mil em cada uma das duas primeiras versões, R$ 15 mil na terceira e R$ 20 mil na quarta, totalizando R$ 105 mil. A coligação afirma que os anúncios alcançaram milhões de usuários.

Com base no artigo 38, § 4º, da Resolução 23.610/2019, a chapa de Lula e Alckmin pediu ao TSE, em caráter de urgência, a remoção ou indisponibilização da propaganda. Também solicitou a aplicação de multa diária em caso de descumprimento e uma ordem para que Flávio Bolsonaro não faça novos impulsionamentos pagos de conteúdos substancialmente idênticos.

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