Relator do caso Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estará presente na Marcha para Jesus marcada para esta quinta-feira, 4, em São Paulo. O evento também contará com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
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Indicado ao STF pelo pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mendonça assumiu a relatoria do inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master após a saída do ministro Dias Toffoli do caso.
O mais recente desdobramento do caso Master foi a revelação de que o dono da instituição, Daniel Vorcaro, financiou o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e participou das negociações com Flávio. Segundo mensagens divulgadas pelo site The Intercept na última terça-feira, 2, Vorcaro tratou como prioridade os pagamentos para financiar o filme após cobranças feitas por Flávio.
Mendonça também foi designado para julgar ações relacionadas à propaganda eleitoral durante as campanhas deste ano.
O ministro foi classificado por Jair Bolsonaro, quando de sua indicação ao STF, como "terrivelmente evangélico". Antes de chegar à Corte, atuou como ministro da Justiça e advogado-geral da União.
Prefeito e governador de São Paulo presentes
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também confirmaram presença no evento.
Durante a semana, Tarcísio rebateu declarações de Ricardo Nunes sobre a investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo a produção do filme Dark Horse. O prefeito afirmou que a apuração poderia configurar "perseguição política" caso tivesse relação com o longa sobre Jair Bolsonaro.
A Polícia Civil investiga suspeitas de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de propriedade de Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment Ltd., responsável pelo filme.
Aliado de Bolsonaro, Tarcísio afirmou na segunda-feira, 1º, que o ex-presidente discutiu com ele, em algumas ocasiões, a possibilidade de lançá-lo como candidato do bolsonarismo à Presidência da República neste ano. O governador, entretanto, reiterou que seu candidato ao Palácio do Planalto é Flávio Bolsonaro.
Outro pré-candidato à Presidência
Além dos chefes dos Executivos municipal e estadual de São Paulo, também confirmou presença o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil), outro pré-candidato à Presidência.
Apesar de disputar espaço político, Flávio Bolsonaro afirmou ter defendido a união com Caiado durante um encontro em Minas Gerais há dois dias. "Grande responsabilidade a de estarmos unidos contra o PT", afirmou o senador.
Apesar do discurso de união, Flávio evitou projetar uma candidatura conjunta já no 1º turno e diz que não tem "controle" sobre os demais postulantes.
Um aliado de Lula em meio a bolsonaristas
Em meio aos aliados de Bolsonaro confirmados no evento, o advogado-geral da União, Jorge Messias, será o representante do governo no evento. Ele foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas teve seu nome rejeitado pelo Senado.
A indicação enfrentou forte resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articulou apoio entre senadores, sobretudo da oposição, da qual Flávio Bolsonaro faz parte, contra a aprovação.
O chefe da Advocacia-Geral da União possui fortes laços com a comunidade evangélica. Em sua apresentação durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Messias afirmou possuir uma "identidade evangélica".
Na semana passada, durante discurso em Sergipe, Lula afirmou que voltaria a indicar Jorge Messias ao STF e o classificou como "um dos homens mais íntegros" que conhece.
Flávio Bolsonaro não participou da edição no Rio
Na edição carioca da Marcha para Jesus, que aconteceu em 23 de maio, Flávio era esperado, mas optou por permanecer em Brasília para reuniões com Jair Bolsonaro.
O evento ocorreu uma semana depois da divulgação dos áudios que comprovaram a proximidade entre o filho do ex-presidente e Daniel Vorcaro. Além disso, naquela altura, o levantamento do Datafolha apontava uma oscilação numérica para baixo de Flávio nas intenções de voto na corrida presidencial.