Aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ex-deputada Marília Arraes, que estava no Solidariedade, selou sua ida ao PDT para disputar uma vaga ao Senado por Pernambuco. A oficialização da filiação deve ocorrer no próximo dia 12 de março.
Nas redes sociais, Marília já havia confirmado sua candidatura ao Senado. "Hoje assumo a responsabilidade. Não tem volta atrás. Eu não tenho direito de fazer isso com mais de 40% da população de Pernambuco que quer que a gente esteja no Senado. Meu governador é João Campos. Meu presidente é o presidente Lula. A gente precisa ter força para aguentar a pressão. E quem não tiver força para aguentar a pressão, fique dentro de casa", declarou em vídeo publicado neste domingo, 1º, no Instagram.
A movimentação foi costurada diretamente com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Segundo interlocutores, as conversas vinham sendo mantidas desde novembro do ano passado e ganharam força nas últimas semanas.
O PDT tem interesse em lançar candidatura própria ao Senado no Estado e avalia que Marília reúne as condições ideais, especialmente após aparecer na liderança das pesquisas com vantagem sobre o senador Humberto Costa (PT), que buscará a reeleição.
A primeira pesquisa Datafolha no Estado neste ano, divulgada em fevereiro, mostra Marília com liderança consolidada em todos os cenários testados, variando entre 36% e 41% das intenções de voto. Ela aparece à frente de Costa, que pontua entre 24% e 26%. A pesquisa ouviu 1.022 pessoas de 2 a 4 de fevereiro. A margem de erro é de três pontos percentuais, e o grau de confiança é de 95%.
Marília pretende manter alinhamento com Lula e com o prefeito do Recife, João Campos (PSB). De acordo com aliados, ela trabalha para integrar a chapa da Frente Popular em Pernambuco. Caso isso não se concretize, deverá manter candidatura avulsa ao Senado. Em qualquer cenário, o compromisso é apoiar o palanque de Lula e de João Campos no Estado.
Compõem a Frente Popular do Recife os partidos PSB, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), União Brasil, Republicanos, MDB, Solidariedade, Avante, DC, Agir e PMB.
Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Lupi avalia apoiar tanto a reeleição da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), quanto um eventual projeto de João Campos nas eleições estaduais, o desejo de Marília.
O PT vai apoiar a candidatura à reeleição de Humberto Costa. A indicação para a segunda vaga ao Senado segue em aberto. No entanto, o ministro de Portos e Aeroportos de Lula, Silvio Costa Filho (Republicanos), pretende disputar uma vaga no Senado por Pernambuco e conta com o apoio do presidente.
A saída do Solidariedade e a relação com o presidente da sigla, o deputado Paulinho da Força, são descritas como tranquilas por pessoas próximas. Ainda assim, sua permanência no partido vinha se tornando desconfortável, sobretudo após Paulinho assumir a relatoria do PL que discute a dosimetria de penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, pauta à qual a base governista é contrária.
O Solidariedade, por sua vez, ainda não lançou nome ao Senado em Pernambuco. A avaliação no entorno da ex-deputada é que a filiação ao PDT oferece maior coerência política com seu campo ideológico.