Polícia descarta suicídio e confirma marcas 'recentes' em pescoço de PM encontrada morta com tiro na cabeça em SP 

Em coletiva de imprensa, autoridades explicaram como se deu trabalho que culminou na prisão preventiva de tenente-coronel e marido da vítima

18 mar 2026 - 15h05
(atualizado às 16h03)
Vídeo mostra momento da prisão de tenente-coronel indiciado pela morte da esposa em SP
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Após o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto ser preso nesta quarta-feira, 18, suspeito de matar a esposa, a soldado Gisele Santana, autoridades da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) detalharam como ocorreu o trabalho de investigação do caso. A policial foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, em São Paulo, com um tiro na cabeça no mês passado.

A prisão ocorreu após expedição de um mandado contra Neto na madrugada. Segundo a SSP, por volta das 8h, um comboio com agentes da Polícia Civil e agentes da corregedoria da PM chegou ao apartamento do tenente-coronel, na rua Roma, no Jardim Paulista, na região central de São José dos Campos (SP). Não houve reação e o tenente-coronel se entregou. O mandado também autorizou a apreensão de aparelhos celulares, quebra de sigilo, dados eletrônicos e o compartilhamento das provas com as Polícias Civil e Militar. 

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Durante coletiva de imprensa realizada na sede da SSP, as autoridades da pasta destacaram que os elementos técnicos e investigativos reunidos pelas forças de segurança em cerca de um mês afastaram a hipótese inicial de suicídio, que era sustentada por Neto desde o início da apuração.

As investigações também constataram "inconsistências significativas quanto à conduta de Geraldo após o disparo da arma até a formulação da ocorrência, o que compromete a credibilidade da sua versão", explicou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. 

"As provas periciais médico-legais analisadas pela polícia técnico-científica indicam a inviabilidade da hipótese de suicídio, além de apontar indícios de alteração do local do crime", continuou o secretário. 

A policial militar Gisele Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento em que vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
A policial militar Gisele Santana, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento em que vivia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos
Foto: Reprodução/TV Globo

Laudos

Para o superintendente da Polícia Técnico-Científica, Claudinei Salomão, o conjunto probatório foi essencial para subsidiar o pedido de prisão. "Todos os achados da exumação confirmaram o laudo que foi inicialmente realizado pelo Instituto Médico-Legal. Posso dizer que em alguns exames complementares, por exemplo, não havia nenhum efeito de entorpecente ou de bebida alcoólica, que é um dado que já consta do laudo", disse.

"Marcas (no pescoço da vítima) já haviam sido descritas no primeiro laudo, que são marcas que correspondem à pressão digital nesta região. Então, durante a exumação, foram colhidos fragmentos de tecido, para ver qual a profundidade dessa lesão. E isso já estava descrito no primeiro laudo. Não houve sinal de asfixia", explicou.

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As marcas, no entanto, foram feitas recentemente, detalhou a perita Amanda Rodrigues Marinone. "Para saber sobre o autor das marcas, são necessários exames complementares a partir da análise desse vestígio. Então, por hora, a gente não consegue dizer quem fez, mas foram feitas por uma segunda pessoa, obviamente não por ela", continuou.

Autoridades de forças policiais reunidos para coletiva de imprensa sobre o caso.
Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

Local do crime alterado

O inquérito policial que tramitou pela Polícia Civil visou confrontar as informações do tenente-coronel desde o dia do crime, "visando desmontar toda a narrativa que ele apresentava", segundo a SSP.

A pasta, no entanto, foi questionada sobre como a investigação entende a conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro, que foi acionado pelo próprio tenente-coronel para ir ao local do crime. "Ele foi lá como um amigo do tenente-coronel e foi esse o papel que ele desenvolveu lá", afirmou o coronel Alex Asaka, comandante da Corregedoria da Polícia Militar.

"Analisadas todas as condutas captadas pelas câmeras corporais, não foi detectado qualquer ato de ingerência", completou o delegado Denis Saito do 8° Distrito Policial, que investiga o caso.

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Além do desembargador, depois da perícia na residência, três policiais militares mulheres foram até o imóvel para limpá-lo. "Os policiais que tiveram para fazer essa limpeza o fizeram por uma questão de humanidade. No primeiro momento, a notícia que se tinha era de um suicídio. A perícia já tinha passado e liberado o local do crime", seguiu Asaka. 

Gisele Alves Santana, soldado da PM, foi encontrada morta devido a um disparo
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

Repercussão

Para o secretário-executivo da SSP, coronel Henguel Ricardo Pereira, o caso é "emblemático". "Eu acredito ser o primeiro caso de feminicídio envolvendo um tenente-coronel da Polícia Militar, também envolvido uma policial feminina, uma vítima desse caso", disse. 

Segundo Pereira, o caso "chocou bastante, e por isso a gente precisou fazer esse trabalho em conjunto, esse trabalho integrado das polícias para a gente ter um olhar realmente técnico, um olhar detido".

"A SSP também fica super triste de ter um elemento da nossa corporação envolvido nesse caso. É muito triste para nós, mas ele mostra a força das nossas Corregedorias", complementou Nico.

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Procurada pelo Terra, a defesa do tenente-coronel não se manifestou até o momento. 

Fonte: Portal Terra
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