Polícia conclui que menino Benício teve overdose de adrenalina e morreu por 'erro médico grosseiro'

Polícia Civil do Amazonas finalizou o inquérito do caso e indiciou a médica, técnica de enfermagem e diretores do hospital

4 mai 2026 - 10h03
O menino Benício chegou andando ao hospital acompanhado dos pais
O menino Benício chegou andando ao hospital acompanhado dos pais
Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil do Estado do Amazonas concluiu nesta semana as investigações sobre a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida em novembro do ano passado. O inquérito chegou à conclusão de que a criança morreu por overdose de adrenalina, que foi resultado de um "erro médico grosseiro".

Os detalhes do inquérito foram divulgados no domingo, 3, no programa Fantástico, da TV Globo. A polícia decidiu por indiciar a médica Juliana Brasil, a técnica de enfermagem Raiza Bentes e os diretores do Hospital Santa Júlia, em Manaus. 

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Segundo a investigação, Benício morreu após ter recebido adrenalina na veia, quando o protocolo correto era de adrenalina por inalação. Peritos atestaram que o “quadro era irreversível” e que “não houve erros de intubação ou de qualquer conduta da equipe de UTI”.

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A médica Juliana Brasil foi quem prescreveu a adrenalina na veia ao menino, que deu entrada no hospital apenas com um quadro de tosse seca. O medicamento foi aplicado pela técnica Raiza, mesmo após a mãe do menino questionar o uso na veia, dizendo que o filho nunca tinha passado pelo procedimento.

Minutos depois da administração, Benício começou a passar mal. Imagens das câmeras de segurança mostram que a médica mexe no celular enquanto acompanhava seu atendimento. A perícia do celular recuperou as mensagens trocadas por Juliana naquele momento, que estava vendendo produtos cosméticos a uma amiga.

“Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”, disse Joyce Xavier, mãe de Benício, à emissora. 

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A defesa de Juliana afirmou, ao Fantástico, que o erro na prescrição do medicamento aconteceu por causa de uma falha no sistema do hospital, que teria trocado a via inalatória pela intravenosa. Sobre a venda de maquiagem, o advogado disse que, naquele momento, Benício não era mais responsabilidade da médica, já que ele estava sendo atendido na "sala vermelha", onde recebia cuidados intensivos.

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A polícia indicou Juliana por homícidio doloso com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), fraude processual e falsidade ideológica. Isso porque a polícia suspeita que ela tenha produzido um vídeo falso tentando mostrar o suposto erro no sistema que a levou a prescrever o medicamento errado.

A técnica de enfermagem Raíza Bentes também foi indiciada por homício doloso com dolo eventual. Sua defesa disse que ela não está mais exercendo a profissão e que não pretende voltar a atuar na área.

Com relação aos diretores indiciados, a polícia concluiu que houve negligência, já que o hospital não possuia o número suficiente de enfermeiros e não havia farmacêutico disponível para checar a prescrição médica. Os diretores devem responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

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Em nota, o hospital informou que ainda não foi oficialmente comunicado sobre o indiciamento dos diretores, disse que está à disposição das autoridades e reafirmou compromisso com a segurança dos pacientes.

Fonte: Portal Terra
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