Juiz cita ‘ousadia absurda’ e ‘deboche’ de delegada que levou namorado do PCC à posse

Layla Lima Ayub foi presa por suspeita de ligação com a facção

17 jan 2026 - 09h04
Resumo
Juiz decreta a prisão da delegada Layla Lima Ayub por suspeita de ligação com o PCC, destacando "ousadia" e "deboche" ao levar o namorado, integrante da facção, à sua posse; investigação aponta envolvimento com o crime organizado e irregularidades no exercício do cargo.
Layla Ayub tomou posse como delegada em 19 de dezembro do ano passado
Layla Ayub tomou posse como delegada em 19 de dezembro do ano passado
Foto: Reprodução/Instagram

Ao decretar a prisão da delegada Layla Lima Ayub, de 36 anos, por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, citou a “ousadia absurda” e o “deboche” dela ao levar o namorado à sua posse. Ela era recém empossada e foi capturada nesta sexta-feira, 16.  

A investigação reuniu vários indícios da ligação dela com a facção, como gravações, fotografias e termos de audiência, entre outros elementos, incluindo a presença do companheiro dela, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como ‘Dedel’, na cerimônia de posse. O evento ocorreu em 19 de dezembro de 2025, no Palácio dos Bandeirantes. 

Publicidade
Delegada aprovada em concurso namora líder do PCC no Pará.
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

“Se o fato já não fosse de extrema gravidade, poucas vezes vistas, causando surpresa até àqueles que laboram na Justiça Criminal há anos, se comprovado, demonstra uma ousadia absurda e um total deboche das autoridades públicas quando um suposto integrante do alto escalão do PCC, com condenações criminais, suspeito de ser responsável por possíveis atentados contra a vida de juízes e outros agentes da Segurança Pública, comparece à cerimônia de posse de sua companheira como Delegada de Polícia do Estado de São Paulo que, novamente, em tese, estaria atuando em conjunto com o crime organizado”, apontou o juiz da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital. 

Na decisão de 13 páginas, o magistrado afirma ainda que as provas evelam uma estratégia da facção para influir diretamente nas decisões do Estado, aproximando o País de um narcoestado. Ele ainda pontua que o PCC “arregimentou” a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, ou seja, a mando da facção

Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como 'Dedel', apontado como uma das lideranças do PCC no Pará e namorado da delegada.
Foto: Reprodução/Redes Sociais / Estadão

Vínculo com o PCC

De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP),  Layla Ayub mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da facção criminosa, inclusive exercendo irregularmente o cargo de advogada, em audiência de custódia, para presos integrantes de organizações criminosas, após ter tomado posse no cargo de delegada de polícia.

A  Operação Serpens, que prendeu a delegada, foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), junto à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo e o GAECO do Estado do Pará. 

Publicidade

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá, no Pará, expedidos pela 2ª Vara Especializada de Crime Organizado da Capital, bem como dois mandados de prisão temporária em face da delegada de Polícia e de um integrante da facção criminosa PCC, que se encontrava em liberdade condicional.

Ela deve ser indiciada aos seguintes crimes: exercício irregular da profissão, integrar organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico

O Terra pediu posicionamento à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e tenta contato com a defesa da delegada, mas ainda aguarda retorno. 

(**Com informações do Estadão)

Fonte: Portal Terra
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações