A Operação Infiltrados, realizada nesta terça-feira, 9, pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Polícia CIvil, em Campinas (SP), apontou que um ex-estagiário do próprio MP teria recebido R$ 500 mil para barrar uma investigação criminal envolvendo um integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) que planejava matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
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Segundo a investigação, o ex-estagiário teria usado os sistemas internos da instituição para identificar os alvos de alto poder econômico para extorqui-los em troca de uma suposta proteção contra as investigações.
Segundo o Gaeco, o bacharel em Direito Gabriel Lira de Jesus atuava em uma promotoria criminal de Campinas e é suspeito de ter se infiltrado no órgão com o objetivo de obter informações sigilosas para fins criminosos.
De acordo com o Ministério Público, o esquema foi descoberto durante o aprofundamento das investigações das operações Pronta Resposta e Off White, que apuram a atuação de integrantes do PCC, lavagem de dinheiro e um plano para assassinar o promotor do Gaeco Amauri Silveira Filho.
O ex-estagiário utilizava bancos de dados e sistemas de pesquisa do Ministério Público para localizar investigados e levantar informações privilegiadas. Com o auxílio de outros agentes públicos, ele teria exigido dinheiro em troca da promessa de evitar o avanço de investigações criminais.
Uma das vítimas seria Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como "Dragão", apontado como integrante da organização criminosa investigada. Segundo informações divulgadas pela TV Globo, a análise do celular de Zambaldi revelou mensagens nas quais eram cobrados R$ 500 mil para que informações sobre ele não fossem encaminhadas ao Gaeco. A partir desse material, os investigadores chegaram ao então estagiário.
O Ministério Público afirma ainda que o suspeito contava com a colaboração de um policial penal e de um ex-policial civil, expulso da corporação após condenação por extorsão mediante sequestro. Os investigadores também apuram o uso da internet de um escritório de advocacia para a prática dos crimes.
Gabriel deixou a promotoria poucas semanas após operações que tinham "Dragão" como alvo e passou a trabalhar em um escritório de advocacia da região de Campinas, que também foi alvo de buscas nesta terça-feira, 9.
A Operação Infiltrados cumpriu três mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. Além do ex-estagiário, foram presos um ex-chefe de investigadores da Polícia Civil e um ex-policial civil suspeitos de integrar o esquema investigado.
As defesas dos investigados não foram encontradas para comentar o caso.