Polícia conclui inquérito do cão Orelha e pede internação de adolescente

4 fev 2026 - 11h20

Polícia Civil de Santa Catarina encerra investigação e pede internação provisória de adolescente apontado como o agressor. Três adultos — parentes dos suspeitos — foram indiciados por coação a testemunha.A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu na noite desta terça-feira (03/02) a investigação sobre a morte do cão Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo, na Praia Brava, em Florianópolis.

A polícia pediu a internação provisória de um adolescente suspeito de envolvimento na morte de Orelha, cão que era cuidado pela comunidade local. Além disso, três adultos — parentes dos suspeitos — foram indiciados por coação a testemunha.

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A internação, antes do julgamento do caso pela Justiça, pode durar até 45 dias, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Se for condenado, o jovem pode pegar uma advertência, ser obrigado a reparar o dano, ter que prestar serviços à comunidade, ficar em liberdade assistida ou em regime de semiliberdade.

A pena mais grave prevista no ECA, de internação em estabelecimento educacional, é reservada a casos envolvendo grave ameaça ou violência contra uma pessoa, a menores reincidentes em infrações graves ou que descumpram outra medida imposta anteriormente.

Depoimento contraditório

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pós análise do laudo de corpo de delito, a polícia relatou que, na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30, Orelha, de cerca de 10 anos, sofreu uma "pancada contundente na cabeça, que pode ter sido um chute ou algum objeto rígido, como madeira ou garrafa".

No dia seguinte, o animal foi encontrado agonizando por moradores e levado ainda com vida a um veterinário, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

As autoridades afirmaram ter analisado mais de mil horas de imagens das câmeras de segurança da região. Foram ouvidas 24 testemunhas e houve a análise de provas.

Segundo a investigação, às 5h25, o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava. Às 5h58, ele retornou para o condomínio com uma amiga. "Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina", afirmaram os investigadores. Além das imagens, testemunhas e outros indícios sugerem que ele estava fora do condomínio.

O adolescente que teve a internação pedida pela polícia é o mesmo que viajou para a Disney logo após o ataque a Orelha. Ele retornou ao país no dia 29 de janeiro, quando foi abordado pelas autoridades ainda no aeroporto.

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Em nota, a defesa do jovem afirmou que as informações divulgadas até agora não permitem "conclusões definitivas" e queixou-se de "não ter tido acesso integral aos autos do inquérito".

Caramelo

No caso do Caramelo, outros quatro adolescentes foram representados por maus-tratos, ou seja, houve a instauração de um inquérito policial. Segundo a polícia, os rapazes tentaram afogar o animal no mar. Caramelo conseguiu escapar dos agressores e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.

as/ra (Agência Brasil, OTS)

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