Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília
A nova pesquisa Genial/Quaest, publicada na quarta-feira, mostra que o presidente Lula (PT) continua na dianteira em todos os cenários. Mas caiu a diferença para o rival do PL, que avançou sobre votos da direita não bolsonarista. A aparente superação da crise com Michelle Bolsonaro é citada por apoiadores do candidato como um fator positivo perante os eleitores.
Já o nome do deputado Alfredo Gaspar (PL/AL), anunciado como vice na chapa de Flávio, gerou surpresa e evidenciou, por sua vez, falta de opção e dificuldades para compor alianças para a disputa.
A escolha do parlamentar, que é ex-promotor de Justiça e foi relator da CPMI do INSS, mostra que o caso da seguridade social e as investigações envolvendo o filho do presidente Lula serão focos da campanha do PL, além de uma preocupação com o Nordeste.
Porém, nos bastidores da esquerda e da direita, muitos avaliam que a escolha parece não ter potencial para agregar muitos votos à campanha de Flávio, já que não se trata de um nome conhecido e alguns temas, como a questão do INSS, invariavelmente já seriam mote de campanha. Além disso, publicamente, Flávio Bolsonaro vinha defendendo um nome feminino.
Aceno às eleitoras
No evento de lançamento do vice, o candidato mais uma vez acenou às eleitoras. Em seu discurso, disse que teve duas filhas para que elas cuidem dele na velhice.
"Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim. Porque as mulheres são assim, são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade. E aquilo que eu estou aprendendo muito com todas vocês, a economia do cuidado, onde 8,5% do nosso PIB seria destinado às mulheres se elas fossem remuneradas por cuidar dos idosos, dos filhos, por fazer outras tarefas além do seu trabalho normal", discursou o presidenciável do PL.
Alfredo Gaspar concorreria ao Senado e, assim, quem saiu ganhando com a escolha dele como vice de Flávio Bolsonaro foi o deputado Arthur Lira (PP/AL), que disputa uma vaga ao Senado por Alagoas, assim como seu arquirrival Renan Calheiros (MDB/AL).
Repercussões e polêmicas
Após o anúncio do vice, repercussões e polêmicas ganharam as mídias, como uma auditoria do Tribunal de Contas da União, que elencou emendas de autoria de Gaspar, no valor de R$ 6,2 milhões, à prefeitura alagoana de São José da Laje, com o alerta de que não era possível rastrear a destinação do recurso. O parlamentar tem respondido que não é alvo de investigação no TCU e que os valores foram repassados ao município de forma regular.
Gaspar também foi alvo de uma queixa-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) por suposto crime de estupro de vulnerável, com pedido de apuração levado ao Supremo Tribunal Federal, que aguarda apuração preliminar para decidir sobre a abertura de investigação. O parlamentar nega a acusação, e apoiadores da campanha de Flávio dizem que nenhuma prova foi apresentada contra ele.