Segundo comunicado divulgado pela presidência brasileira, na ligação que durou cerca de 50 minutos, Lula sugeriu ao presidente americano que o Conselho de Paz "se restrinja à questão da Faixa de Gaza e inclua um assento para a Palestina".
Na rede social X, Lula publicou um post sobre o conteúdo do telefonema a Trump. "Reiterei a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança", diz.
Conversei hoje ao telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump . Abordamos temas relacionados à relação bilateral e à agenda global. Trocamos informações sobre indicadores econômicos dos dois países, que apontam boas perspectivas para as duas economias. O presidente…
— Lula (@LulaOficial) January 26, 2026
O Brasil faz parte dos cerca de 60 países convidados a participar do Conselho de Paz idealizado Trump, uma alternativa do republicano para substituir a ONU. Inicialmente, 35 nações responderam favoravelmente à proposta, mas apenas 23 oficializaram a entrada. Os Estados Unidos pretendem cobrar US$ 1 bilhão pelo ingresso permanente no grupo.
A exemplo de vários outros líderes convidados para se integrarem ao Conselho de Paz, Lula não respondeu publicamente à proposta. Na sexta-feira (23), o presidente brasileiro chegou a afirmar que, com a iniciativa lançada em Davos, Trump queria "ser dono" de uma "nova ONU".
Um pouco antes, o presidente chinês, Xi Jinping, havia conversado por telefone sobre o assunto com Lula, e ambos teriam concordado em defender "o papel central" das Nações Unidas. Segundo o canal estatal CCTV, o líder chinês teria pedido que Pequim e Brasília se posicionassem "firmes do lado correto da história".
Na sexta-feira, Lula ainda afirmou que estava entrando em contato "com todos os países do mundo" para "encontrar uma forma de se reunir" e defender o sistema multilateral. Entre os líderes com quem disse ter conversado estão o presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
Encontro em Washington
O comunicado da presidência brasileira também indica que na ligação telefônica desta segunda-feira, os dois líderes "acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington". Segundo a nota, a viagem deve ocorrer após a visita do líder petista à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, "em data a ser fixada em breve".
A situação na Venezuela também foi abordada pelos presidentes. De acordo com o comunicado, Lula ressaltou "a importância de preservar a paz e a estabilidade da região", depois que uma operação militar americana depôs o presidente Nicolás Maduro no início deste mês. Após a incursão, Lula classificou os ataques dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do líder chavista como uma "afronta gravíssima" à soberania de Caracas.
Na conversa desta segunda-feira Lula ainda reiterou proposta, encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro, de fortalecer a cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O objetivo, segundo a nota, seria estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e do intercâmbio de dados sobre transações financeiras. "A proposta foi bem recebida pelo presidente americano", diz o comunicado.
Lula e Trump também abordaram os indicadores econômicos dos dois países, com boas perspectivas para as duas economias. Segundo a presidência brasileira, o líder republicano afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. "Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros", conclui a nota.
RFI com agências