O grupo empresarial NSX, responsável por plataformas de apostas esportivas como Betnacional, Mr. Jackbet e PagBet, é alvo nesta sexta-feira, 28, de uma operação do Ministério Público Federal (MPF) e da Receita Federal que investiga um suposto esquema de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta que o grupo teria movimentado mais de R$ 5 bilhões somente em 2025.
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Batizada de Operação Jogo de Sombras, a ação cumpre seis mandados de busca e apreensão em endereços localizados em João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo. Também são realizadas apreensões de bens e valores.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF, os controladores da NSX teriam criado uma empresa de fachada em Curaçao, no Caribe, para simular que a operação da plataforma de apostas ocorria fora do Brasil antes da regulamentação do setor.
A NSX entrou no mercado brasileiro de apostas em 2021 e, no ano seguinte, lançou a Betnacional, que se tornou uma das principais plataformas de apostas esportivas do país. A empresa também investiu em uma estratégia de divulgação com nomes conhecidos, como o jogador Vinícius Jr., o narrador Galvão Bueno e o cantor Thiaguinho.
As apurações apontam ainda para o possível uso de chamadas contas-bolsão, mantidas em fintechs, que teriam sido utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos e a identificação dos beneficiários finais das movimentações financeiras.
A investigação também identificou indícios de utilização de instituições de pagamento e de operações financeiras para transferir recursos entre o Brasil e o exterior. Parte do dinheiro teria retornado ao país sob a justificativa de pagamentos por serviços, em um possível mecanismo para conferir aparência de legalidade à repatriação de valores enviados anteriormente para fora do Brasil.
Embora a NSX tenha obtido autorização para atuar no mercado de apostas a partir de 2025, os investigadores encontraram indícios de que o grupo já operava no Brasil antes da regulamentação do setor. A suspeita é de que, nesse período, a empresa tenha atuado sem autorização e deixado de recolher os tributos correspondentes.
A investigação também procura esclarecer a origem dos recursos utilizados para o pagamento da outorga obtida em 2025 e se parte desse dinheiro teria sido gerada por atividades realizadas antes da regulamentação das apostas de quota fixa.
Procurada pelo Terra, a NSX ainda não se manifestou sobre a investigação.