Apesar de empatar com Lula nas pesquisas, Flávio Bolsonaro enfrenta forte desgaste com a revelação de um inquérito do STF que o investiga por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de captar dezenas de milhões com o banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. O caso Master deflagrou uma crise institucional histórica no Supremo, envolvendo disputas entre ministros e a PF, o que ameaça a campanha de Flávio a poucas semanas do primeiro turno.
Após meses de liderança consolidada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu reduzir - e, em alguns casos, até eliminar - a vantagem do petista nas pesquisas, mas revelações sobre sua relação controversa com o banqueiro Daniel Vorcaro lançam dúvidas sobre o futuro de sua candidatura.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro já aparece até à frente de Lula em algumas sondagens para o segundo turno e agora tenta conter os danos dos inquéritos do chamado "caso Master" em sua campanha.
Na manhã desta sexta-feira (11), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou pública uma investigação contra Flávio por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento de "Dark Horse", cinebiografia de Bolsonaro que está no centro do escândalo.
O senador e candidato a presidente é investigado desde julho, mas o inquérito foi revelado apenas depois de o presidente do STF, Edson Fachin, intervir para aplacar a pior crise da história da corte e pedir a Mendonça que derrubasse o sigilo do "caso Master", banco de Daniel Vorcaro, que está preso acusado de causar fraudes bilionárias no sistema financeiro.
Mendonça, indicado ao Supremo por Bolsonaro, atendeu ao pedido apenas parcialmente, e agora Fachin deu 24 horas para que ele tire o sigilo de toda a investigação, deixando a campanha de Flávio em alerta.
O candidato teria pedido mais de R$ 130 milhões a Vorcaro para financiar "Dark Horse", dos quais mais de R$ 60 milhões teriam sido pagos, um orçamento consideravelmente superior à média dos filmes produzidos no Brasil.
Na última quinta (10), um deputado bolsonarista, o ex-galã da TV Mário Frias (PL), já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal por suspeita de desviar dinheiro público para "Dark Horse".
O caso se mistura à crise envolvendo o Banco Master e ministros do STF. Ao longo da semana, Mendonça, relator da investigação sobre o banco no Supremo, liberou documentos que indicam uma suposta relação próxima entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, o poderoso ministro do Supremo que foi artífice da prisão e condenação de Bolsonaro por golpe de Estado.
Moraes, por sua vez, reagiu pedindo a apuração da atuação de Mendonça e o afastamento do colega do "caso Master".
A disputa chegou à Polícia Federal, após Mendonça afastar o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, sob alegação de irregularidades na produção de relatórios de inteligência sobre ministros da corte.
Em seguida, Flávio Dino, levado ao Supremo por Lula, suspendeu o afastamento de Rodrigues e criticou a atuação de Mendonça no caso, expondo a divisão entre os ministros do tribunal.
Diante da escalada, Fachin assumiu o controle da crise e suspendeu as decisões divergentes de Mendonça e Dino, enquanto marcou para 15 de setembro uma audiência para decidir se Moraes deve ser investigado por sua relação com Vorcaro.
Uma data que promete agravar o terremoto político em Brasília, faltando poucas semanas para o primeiro turno das eleições.