Em ato na Paulista, Flávio busca vincular Lula a Moraes e promete recuperar credibilidade do Judiciário

7 set 2026 - 18h10
Resumo
Em ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro atacou o ministro Alexandre de Moraes, chamando-o de "laranja podre", e buscou associá-lo ao presidente Lula sob o lema "fora Lula e fora Moraes". O senador prometeu recuperar a credibilidade do Judiciário e indicar novos ministros ao STF com a eventual saída do magistrado. Apesar de pesquisas apontarem liderança de Lula, Flávio declarou que vencerá no primeiro turno e denunciou supostas interferências eleitorais.

O senador e candidato à Presidência ‌Flávio Bolsonaro (PL) buscou vincular o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante discurso em ato na Avenida Paulista, em São Paulo, pelo Dia da Independência e prometeu que, se eleito, recuperará a credibilidade do Judiciário brasileiro.

Em um ato cujo mote foi "fora Lula e fora Moraes", Flávio também disse que vencerá a eleição presidencial já no primeiro turno, marcado para daqui a menos de um mês em 4 ⁠de outubro, e disse que quer ser "o libertador da pátria". Pesquisas Datafolha e Quaest mostraram na semana passada Lula liderando ‌o primeiro turno e um empate técnico entre ele e Flávio no segundo turno, com vantagem numérica para o petista.

Publicidade

"Primeiramente, fora Lula, fora Moraes", disse Flávio ao iniciar o seu discurso para milhares de pessoas que foram à ‌Avenida Paulista apesar do frio de cerca de 12 ºC e ‌do tempo fechado na capital paulista nesta segunda.

"Esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar", afirmou o filho ⁠mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes. Nós não vamos permitir que o Lula indique mais quatro Alexandres de Moraes para o Supremo Tribunal Federal. Eu vou indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal, porque Alexandre de Moraes vai cair."

Moraes tomou posse como ministro do STF em 2017, indicado pelo então presidente Michel Temer, que assumiu após o impeachment da petista Dilma Rousseff. Durante o governo Bolsonaro, o ‌ministro foi alvo constante de críticas de Jair Bolsonaro, que, assim como fez Flávio nesta segunda, usou atos no 7 ‌de Setembro na Paulista para atacar ⁠o magistrado.

Em 2021, Bolsonaro chamou ⁠Moraes de "canalha" e disse que não cumpriria suas decisões. Em 2023, Moraes foi o relator do processo em que Bolsonaro foi condenado ⁠por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Atualmente, o ‌ex-presidente cumpre prisão domiciliar devido a ‌condições de saúde.

Publicidade

As críticas contra Moraes ganharam corpo nos últimos dias depois que o ministro do STF André Mendonça liberou sigilo de relatório da Polícia Federal mostrando mensagens de Daniel Vorcaro, do Master, para ele nas quais o banqueiro questiona se Moraes poderia reverter investigações contra ele. Além disso, Vorcaro tinha um contrato ⁠de cerca de R$130 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em seu discurso, Flávio chamou Moraes de "laranja podre" e disse que sua presença na corte não pode contaminar o tribunal.

"Eu vou trabalhar para resgatar a credibilidade do Judiciário brasileiro. Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes. Aquela laranja podre não pode contaminar toda a corte. O Supremo não ‌é Alexandre de Moraes, o Judiciário não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes", afirmou.

Sem entrar em detalhes, Flávio também fez questão de mandar um recado aos que, segundo ele, querem interferir nas ⁠eleições. Ao lembrar que, na véspera, completaram-se oito anos do atentado a faca sofrido por seu pai durante a campanha eleitoral de 2018, o senador disse que a condenação por golpe de Estado foi uma "segunda facada" e que uma terceira está a caminho.

"Eu estou avisando, vão tentar uma terceira facada não só em mim, mas também em meus aliados. E o que eu tenho a dizer a vocês que vão tentar mais uma vez interferir nas eleições: não vai adiantar nada, porque eu estou aqui de peito aberto e nós juntos somos muito mais fortes do que eles", disse.

Publicidade

Recentemente Flávio realizou uma reunião com diplomatas para, sem evidências, levantar dúvidas em relação ao sistema eleitoral brasileiro, recorrendo inclusive a informações já conhecidamente falsas. Uma das condenações à inelegibilidade de Jair Bolsonaro se deve a uma reunião com embaixadores em 2022 para atacar as urnas eletrônicas.

No comício desta tarde, Flávio reafirmou, como já havia feito recentemente em entrevista à TV Globo, que vencerá a eleição no primeiro turno. "Eu quero ser o libertador da pátria", disse.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações