O eleitorado brasileiro na Itália cresceu 17,5% em quatro anos, totalizando 38.829 votantes registrados. O pleito permanece concentrado em Milão e Roma, o que gera desafios logísticos e histórico de longas filas. Para contornar problemas passados, Milão mudou o local de votação e reforçou a equipe de apoio. Devido às distâncias e custos de viagem, a abstenção no país costuma superar a média externa, variando entre 60% e 68%. Politicamente, os resultados locais têm seguido o cenário nacional do Brasil.
Júlia Valente, correspondente da RFI em MIlão,
Dos 54 mil brasileiros que residem na Itália, 38.829 estão registrados para votar no próximo dia 4 de outubro. O número representa um crescimento de 17,5% em relação a 2022, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quem vive no norte da Itália votará em Milão, enquanto os brasileiros que moram nas regiões central e sul do país votarão em Roma.
A maior parte do eleitorado brasileiro na Itália está concentrada em Milão, com 24.632 pessoas registradas. Neste ano, o Consulado-Geral do Brasil em Milão trocou o local de votação e reservou um centro de provas para receber as seções eleitorais. O espaço fica em Turro, no norte da cidade, uma área afastada do centro, mas com fácil acesso de metrô.
Na última eleição presidencial, as principais reclamações em Milão foram a desorganização e o tempo de espera. As filas começaram logo cedo, ocuparam vários metros de calçada e o tempo de espera chegou a passar de três horas. Para evitar que o problema se repita, o consulado informou que o local alugado fornecerá 36 funcionários para trabalhar na organização das filas. Além disso, 156 agentes eleitorais brasileiros foram convocados para atuar durante a votação e ajudar a manter um fluxo contínuo de eleitores.
Já em Roma, assim como nos anos anteriores, a votação será realizada na Embaixada do Brasil, localizada na Piazza Navona, um dos principais cartões-postais da capital italiana. Para facilitar o acesso, as entradas da embaixada serão divididas de acordo com as seções eleitorais. O local também costuma ficar cheio nos dias de votação, mas o número de eleitores é menor. Neste ano, 14.197 brasileiros estão registrados para votar na capital italiana.
Em eleições anteriores, Veneza e Florença também tiveram locais de votação. Desde 2022, porém, o pleito brasileiro na Itália está concentrado apenas em Milão e Roma. Por isso, um dos principais desafios é organizar uma estrutura capaz de receber um eleitorado ainda maior do que em 2022.
Abstenção na Itália fica historicamente acima da média no exterior
A abstenção entre os eleitores brasileiros no exterior costuma ser significativamente maior do que no Brasil. Desde as eleições de 2010, o índice na Itália varia entre 60% e 68%. No primeiro turno de 2022, a abstenção média entre os eleitores brasileiros no exterior foi de 56,24%, segundo o TSE. A Itália ficou acima da média, com 67,4%.
Um dos principais motivos é a distância e o custo do deslocamento até os locais de votação. Como apenas duas cidades concentram todo o pleito na Itália, muitos eleitores precisam viajar durante horas para chegar a Milão ou Roma. Por isso, o consulado em Milão informou que espera receber menos da metade dos eleitores registrados. A estimativa é que cerca de 10 mil pessoas compareçam às urnas na cidade para o primeiro turno.
Eleitorado na Itália acompanhou resultado nacional nas últimas eleições
Nas duas últimas eleições presidenciais, o resultado na Itália acompanhou o cenário nacional. Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) foi o candidato mais votado entre os brasileiros no país, com 52,04% dos votos no primeiro turno, contra 17,89% de Fernando Haddad (PT). No segundo turno, Bolsonaro recebeu 62,08%, e Haddad, 37,92%.
Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou à frente, com 52,02% dos votos no primeiro turno, contra 37,29% de Jair Bolsonaro (PL). No segundo turno, Lula recebeu 55,37%, e Bolsonaro, 44,63%.
Por isso, não é possível afirmar que o eleitorado brasileiro na Itália seja tradicionalmente mais alinhado à direita, à esquerda ou a um partido específico. Para saber qual será a tendência neste ano, será preciso aguardar o resultado das urnas.