O relatório final sobre o acidente aéreo da Voepass foi divulgado nesta semana e apontou como causas do acidente falhas da empresa, dos pilotos e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que permitiu a companhia continuar operando mesmo com falhas graves, como reparos feitos no improviso. A agência reguladora justifica que foi enganada.
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"Muitas das informações que a empresa nos enviava eram falsas. Um fiscal da Anac chamava o mecânico da Voepass e falava: 'Você tem que trocar essa peça'. Quando o fiscal ia ver, ele via que tinha o documento da troca, que ele tinha reportado a troca, mas que, na prática, não havia sido trocado nada", afirmou Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac em entrevista ao Fantástico.
O acidente da Voepass aconteceu no dia 9 de agosto de 2024, quando um avião que voava de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP) caiu em uma área residencial em Vinhedo (SP). Nenhuma das 62 pessoas a bordo sobreviveu.
A queda teve origem nos aparelhos de degelo da aeronave. De 2022 a 2024, a Voepass foi notificada dez vezes por fiscais da Anac por problemas nesse equipamento.
Segundo o relatório, a companhia tinha a cultura de continuar voando e tratar esses problemas como se não fossem graves. "Posso dizer que sim [que a Anac foi enganada]. Nosso corpo técnico fez análise em documentos que não eram verdadeiros", diz o diretor-presidente da Anac sobre o caso.
Em nota ao Fantástico, a Voepass afirmou que sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação. A empresa ainda declarou que a atuação sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais e que a tripulação era experiente, capacitada e devidamente certificada.
Em 2023, ano anterior ao acidente, a Voepass foi responsável por 82% das falhas apontadas pela Anac no Brasil, mas a companhia só operou 0,6% dos voos no país naquele ano. Mesmo assim, a agência reguladora permitiu que aeronaves da empresa continuassem decolando.