Ministérios federais criaram uma força-tarefa para apurar denúncias da Apib sobre o avanço da violência política contra indígenas após o segundo turno presidencial. Os relatos, concentrados no Mato Grosso do Sul, incluem atropelamentos propositais, ameaças e suspeita de contaminação de água potável em Tacuru, caso já investigado com urgência pelo MPF. O órgão, contudo, descartou motivação política em outro caso local, enquanto lideranças exigem a proteção imediata das comunidades afetadas.
Os ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) anunciaram uma "força-tarefa" para investigar denúncias de violências contra comunidades nativas após o segundo turno das eleições presidenciais.
"É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas", disseram as pastas em comunicado conjunto. "Vivemos em um país democrático em que as diferentes visões de mundo devem ser respeitadas e coexistir de forma pacífica e livre", acrescentaram.
As denúncias foram feitas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) a órgãos federais e apontam o aumento de episódios de violência, como atropelamentos, ameaças e suspeitas de contaminação de água, depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Grande parte das denúncias envolve povos originários do Mato Grosso do Sul, o terceiro estado mais violento do país contra indígenas, segundo relatório de 2025 do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), atrás apenas de Roraima e Amazonas.
O Ministério Público Federal sul-mato-grossense (MPF/MS) informou ter aberto procedimentos para verificar as acusações.
Uma delas apura em caráter de urgência supostos atos de intimidação e a ameaça de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá no município de Tacuru.
O órgão expediu um ofício com prazo de 48 horas para que a prefeitura esclareça a "apuração de áudios com ameaças" e a "continuidade dos serviços públicos", com "medidas adotadas para garantir a segurança e a manutenção do atendimento essencial prestado às comunidades".
Ao mesmo tempo, o MPF/MS refutou as denúncias de tentativas de homicídios contra indígenas das comunidades Kurupi e Mboreviry no município de Naviraí por motivação política. Após averiguar as acusações, as autoridades concluíram que o caso foi decorrente de um "desentendimento familiar e interpessoal".
Outras denúncias envolvem ao menos dois atropelamentos propositais contra mulheres indígenas no Mato Grosso do Sul, ocorridos em Coronel Sapucaia e em Aquidauana.
A deputada e ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara usou as redes sociais na última quinta-feira (29) para reforçar as acusações no estado do Centro-Oeste. "Como podemos aceitar que um grupo que não aceita o resultado eleitoral possa ameaçar e matar indígenas dentro do próprio território?", questionou.
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