O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou nesta terça-feira, 4, a greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) como "baderna" e afirmou que o mote da paralisação é apenas político. Os ferroviários paralisaram as atividades nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade com as pautas de reestatização dos ramais e manutenção do emprego dos trabalhadores.
Em postagem nas redes sociais, o chefe do Executivo estadual ainda defendeu a privatização das linhas de transporte, o que foi uma das suas bandeiras de campanha há quatro anos. Em julho, as três linhas haviam sido repassadas para uma concessionária, a Trívia Trens, mas foram reassumidas pela CPTM após falhas nos primeiros dias de operação privada.
Nesta manhã, passageiros sofreram transtornos para pegar os trens e a capital registrou aumento da lentidão por causa da greve. A Prefeitura suspendeu o rodízio de veículos durante todo o dia.
"A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo", disse. Segundo Tarcísio, a concessão é "feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações", além de estender as linhas para regiões mais distantes.
"A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem, que já não suportam mais ver justamente aqueles políticos que dizem defender os seus interesses atuando para ferir seu direito de ir e vir", acrescentou ele, que também é candidato à reeleição.
Em julho, o governador disse considerar inaceitáveis as falhas que ocorreram na operação das linhas que tinham sido repassadas à concessionária Trivia Trens.
Por conta dos problemas, o Estado definiu que a CPTM voltasse a operar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e o Serviço Expresso Aeroporto por um período inicial de até 90 dias.
Na ocasião, Tarcísio também ameaçou romper o contrato de concessão caso a Trívia Trens não cumprisse os termos do acordo.
Nosso compromisso é com quem acorda cedo todos os dias e precisa de um transporte público confiável para chegar ao trabalho, estudar, ir a uma consulta ou realizar um exame. A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o…
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) August 4, 2026
O que pedem os grevistas
Os funcionários reivindicam a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens.
De acordo com os grevistas, 2,3 mil trabalhadores da companhia correm o risco de perder o emprego caso não sejam reabsorvidos quando as atividades voltarem a ser controladas pela TriviaTrens.
Os funcionários têm defendido o projeto de lei 730/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa, que autoriza justamente a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta do Estado.