SP lança pacote para enfrentar violência contra a mulher em meio a recorde de feminicídios no Estado

Entre as ações estão acolhimento de órfãos, assistência financeira a familiares, medidas preventivas e aumento de salas de delegacias especializadas

30 mar 2026 - 22h30

O Estado de São Paulo registrou 55 feminicídios nos dois primeiros meses deste ano, cerca de um a cada 25 horas — quase um por dia. É o maior índice para o período desde 2018, quando a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) passou a registrar esse tipo de delito em suas estatísticas mensais.

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Os números indicam a continuidade da onda de violência contra as mulheres no território paulista: com o registro de 266 ocorrências em 2025, o Estado atingiu o maior patamar da série histórica de feminicídios em um único ano.

Diante do aumento dos casos, o governo de São Paulo anunciou, nesta segunda-feira, 30, no Palácio dos Bandeirantes, uma série de medidas para frear a violência contra as mulheres e ampliar as políticas públicas de proteção às vítimas.

O governo prevê a criação de um "Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher", que buscará, com a articulação de nove secretarias e do sistema de Justiça, realizar um trabalho de caráter preventivo para evitar a violência.

Governo de SP prevê aumento na quantidade de salas de Delegacias da Mulher nos próximos meses
Governo de SP prevê aumento na quantidade de salas de Delegacias da Mulher nos próximos meses
Foto: Divulgação/Governo de SP / Estadão

A proposta, informou o governo, organiza as ações em três níveis de prevenção — primária (ações educativas e culturais, formação de profissionais, campanhas e inclusão do tema nas escolas), secundária (ampliação de serviços como Delegacias de Defesa da Mulher, atendimento especializado, uso de tecnologia e monitoramento de agressores) e terciária (promoção da autonomia das mulheres, com acesso ao trabalho e à renda, além de suporte a filhos de vítimas).

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Outra medida é a realização de atendimentos itinerantes, por meio de carretas interdisciplinares que se deslocarão pelos municípios. A ideia, segundo a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), é promover acolhimento psicológico e assistencial, oferecer orientações jurídicas, registrar ocorrências de violência e, se necessário, encaminhar os casos à Justiça — incluindo o pedido de medidas protetivas.

Prestar assistência a filhos, filhas e familiares de mulheres vítimas de feminicídio também faz parte do pacote de medidas. A nova orientação é que crianças e adolescentes órfãos sejam acolhidos institucionalmente por meio do programa SuperAção, e que familiares recebam apoio financeiro do Estado, "conforme critérios estabelecidos".

O governo de São Paulo afirma ainda que pretende reclassificar nove Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), elevando algumas unidades à 1ª classe — nas cidades de Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha, Ribeirão Pires e Valinhos — e outras à 2ª classe - como nos casos de Jaboticabal, Bastos, Monte Aprazível, Jacupiranga e Pereira Barreto.

"A medida permite ampliar equipes, melhorar as condições de trabalho e aumentar a capacidade de resposta das unidades, inclusive na solicitação de medidas protetivas", informou o governo. O Estado também planeja, nos próximos quatros meses, ampliar em 69 unidades o número de salas nas DDMs - nove na capital e 60 no interior.

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Outra ação anunciada foi o "Conversa de Homem: Diálogos pelo Fim da Violência contra a Mulher", que promoverá a formação de profissionais para atuar com grupos reflexivos masculinos nos municípios, abordando temas como gênero, paternidade e prevenção da violência.

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a "defesa da mulher é prioridade" de seu governo e destacou a criação da inédita Secretaria de Políticas para a Mulher.

"O enfrentamento à violência contra as mulheres ganha ainda mais força quando as mais diversas instâncias do poder público se unem", disse, ao citar órgãos como o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública. "Que bom que alcançamos essa maturidade institucional", concluiu o governador.

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