'Se não é narcoestado, estamos a poucos passos', diz juiz que prendeu delegada por elo com o PCC

Investigação aponta que Layla Lima Ayub teria se infiltrado na corporação a mando da facção. Estadão busca contato com a defesa

16 jan 2026 - 10h56
(atualizado às 11h22)

O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital, determinou a prisão da delegada Layla Lima Ayub após investigações apontarem o envolvimento dela com o PCC.

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Na decisão, que atendeu a uma representação do delegado Kleber de Oliveira Granja, da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, o magistrado alerta que a contaminação do crime organizado no país já classifica o Brasil como um "narcoestado".

Enquanto delegada, Layla teria participado de uma audiência de custódia na comarca de Marabá, no Pará, para defender um preso apontado como integrante do PCC
Enquanto delegada, Layla teria participado de uma audiência de custódia na comarca de Marabá, no Pará, para defender um preso apontado como integrante do PCC
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O termo é usado quando a administração pública passa a ser dominada por facções criminosas, dedicadas primordialmente ao tráfico de drogas, e com uma complexidade estrutural e financeira com a qual os governos não conseguem ou sabem lidar.

"De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do País, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso."

Ex-policial militar no Espírito Santo, Layla Ayub teria um relacionamento amoroso com um integrante do PCC no Pará, identificado como Jardel Neto Pereira da Cruz, o 'Dedel'.

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Outro ponto apurado é que Layla seria formalmente casada com um delegado da Polícia Civil do Pará, que atua na região de Marabá
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

No dia 28 de dezembro, já no cargo de delegada, ela teria atuado de forma irregular como advogada em uma audiência de custódia em Marabá, com o objetivo de obter a soltura de um integrante da facção na cidade.

Empossada em evento no Palácio dos Bandeirantes no dia 19 de dezembro, Layla foi detida nesta sexta, 16, em uma casa alugada na zona Oeste da capital paulista.

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