O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), apresentou denúncia contra 17 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa com atuação dentro do sistema prisional gaúcho. Entre os denunciados estão três policiais penais, para os quais o MP requer o afastamento imediato das funções e a perda definitiva do cargo público.
A denúncia foi protocolada nesta quinta-feira (15) pelos promotores de Justiça Diego Pessi e Manoel Figueiredo Antunes e envolve crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, favorecimento real qualificado, falsidade ideológica e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
De acordo com as investigações, os denunciados faziam parte de um esquema estruturado para viabilizar a entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos em unidades prisionais, além de permitir a circulação irregular de pessoas não autorizadas dentro dos presídios. A atuação criminosa ocorria com apoio direto de servidores públicos, que, segundo o MP, utilizavam suas funções para beneficiar o grupo.
Ainda conforme a denúncia, os policiais penais investigados teriam manipulado registros oficiais e inserido informações falsas em sistemas de controle e monitoramento penitenciário, assegurando vantagens à organização criminosa e dificultando a fiscalização interna.
Operação Madrinha
As apurações fazem parte da Operação Madrinha, deflagrada pelo GAECO/MPRS em 11 de dezembro de 2025, com ações nos municípios de São Luiz Gonzaga, Ijuí e Santiago. A ofensiva teve como foco desarticular o esquema criminoso que atuava dentro dos presídios do Estado.
Na ocasião, foram presos dois policiais penais, além de uma ex-apenada e um detento, e realizadas duas prisões em flagrante. Também foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de armas, drogas, dinheiro em espécie, aparelhos celulares e veículos.
A operação mobilizou 27 agentes do GAECO, 32 policiais militares e 73 integrantes do Grupo de Ações Especiais (GAES), além da Corregedoria da Polícia Penal.
O processo segue em tramitação na Justiça, e os denunciados responderão conforme os crimes atribuídos pelo Ministério Público.