A Polícia Civil deflagrou a Operação Padrinho contra o crime organizado e homicídios na Região Central do RS. Com apoio de outras forças de segurança, a ofensiva mobilizou mais de 230 ordens judiciais em três municípios e em casas prisionais, resultando em 70 prisões, além de bloqueios de contas e veículos. As apurações revelaram que líderes detidos usavam o sistema penitenciário para comandar execuções e o tráfico, motivando a ação focada em desarticular financeira e logisticamente a facção.
A Polícia Civil, por intermédio da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Santa Maria (DPHPP/Santa Maria), deflagrou na manhã desta quarta-feira (4) a Operação Padrinho. A ação tem como foco o combate a crimes de homicídio e ao crime organizado na Região Central do Rio Grande do Sul, contando com o apoio da Brigada Militar, da Polícia Penal e do Instituto-Geral de Perícias (IGP).
A ofensiva mobiliza o cumprimento de mais de 230 ordens judiciais, que incluem mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, sequestro de veículos e bloqueio de contas bancárias nos municípios de Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul. As diligências alcançam também o sistema prisional, com ordens executadas nas casas prisionais PASC, PESM, PRSM, PEJULI e PESB. Até o momento, 70 pessoas foram presas.
Segundo o titular da DPHPP de Santa Maria, delegado Adriano Rossi, as investigações começaram em 13 de agosto de 2025, após a execução de um homem com 15 tiros no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. A apuração da rota de fuga revelou que o homicídio foi ordenado pela cúpula de um grupo criminoso associado a uma facção estadual. O nome da operação faz referência ao tratamento reverencial dispensado ao líder da organização.
"Ficou comprovado que a cúpula da organização exercia influência sobre duas importantes galerias do sistema prisional local, utilizando o espaço carcerário para coordenar a logística do narcotráfico, gerenciar rotinas internas e expedir ordens de execuções extramuros, garantindo uma influência territorial estritamente coercitiva nos bairros em que atuava", explicou o Delegado Adriano Rossi.
O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mario Souza, destacou que a operação integra o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios (P7). A medida visa neutralizar a estrutura logística e financeira do grupo, responsável por mandar ordens de execução de dentro dos presídios.
"A operação atinge o cerne estrutural do grupo, visando não apenas a responsabilização penal pelos homicídios, mas também o isolamento de seus integrantes e o estrangulamento financeiro e logístico da organização criminosa, visando neutralizar por completo a sua capacidade de articulação criminal", destacou o Diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, Delegado Mario Souza.