Marido de mulher morta por PM afirma que policiais agiram com crueldade: 'Não me deixaram socorrê-la'

Luciano Gonçalves dos Santos disse que foi impedido inúmeras vezes de levar esposa baleada para hospital

14 abr 2026 - 12h13
(atualizado às 13h00)
Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi morta por um tiro no tórax disparado pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira. Na foto, a vítima está ao lado do marido Luciano Gonçalves dos Santos
Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi morta por um tiro no tórax disparado pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira. Na foto, a vítima está ao lado do marido Luciano Gonçalves dos Santos
Foto: Reprodução/Rede sociais

O marido da ajudante-geral Thawanna Salmázi, de 31 anos, que morreu após ser baleada por uma policial militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, afirmou que tentou socorrer a esposa logo após ela ter sido ferida, mas foi impedido, com violência, pelos PMs que estavam no local.

Luciano Gonçalves dos Santos prestou depoimento na segunda-feira, 13, na Ouvidoria das Polícias, órgão responsável por acompanhar a atuação da PM e da Polícia Civil. 

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"Fui impedido inúmeras vezes. Não me deixaram socorrer minha esposa. Fui oprimido pelos policiais naquela noite. Foi um ato de crueldade. Eles impediram de socorrer minha mulher", afirmou à TV Globo após o depoimento. 

Luciano reforçou também a demora no atendimento a Thawanna. Em nota, a SSP informou que os policiais envolvidos na ocorrência trabalharão em funções administrativas até a conclusão das investigações.

Imagens de câmeras corporais serão analisadas e encaminhadas às autoridades, assim como os laudos periciais.

Entenda o caso

No registro da ocorrência, os policiais informaram que estavam em patrulhamento no último dia 3 de abril quando avistaram um casal andando no meio da rua, de braços dados. O homem teria se desequilibrado e batido o braço no retrovisor da viatura. 

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Os agentes, então, teriam retornado ao local, momento em que o rapaz começou a discutir com a equipe e desobedecido uma ordem para se afastar. Em meio ao desentendimento, a mulher teria avançado sobre a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos. 

A agente relatou ter sofrido um tapa no rosto e tentado se defender. Na sequência, teria havido um disparo de arma de fogo, e Thawanna teria sido atingida na barriga. Ela foi levada ao Hospital Tiradentes. 

Em depoimento, o homem afirmou que a viatura passou pelo casal em alta velocidade, quase atropelando, o que teria gerado uma reação da mulher. Segundo o rapaz, uma agente teria descido da viatura e efetuado o disparo contra Thawanna. Ele disse, ainda, ter sido atingido com spray de pimenta.

Thawanna da Silva Salmázio morreu por hemorragia interna aguda, conforme o atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) nesta sexta-feira, 10. Segundo o documento, um “agente perfuro contundente” foi a causa da morte.

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Fonte: Portal Terra
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