O marido da ajudante-geral Thawanna Salmázi, de 31 anos, que morreu após ser baleada por uma policial militar em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, afirmou que tentou socorrer a esposa logo após ela ter sido ferida, mas foi impedido, com violência, pelos PMs que estavam no local.
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Luciano Gonçalves dos Santos prestou depoimento na segunda-feira, 13, na Ouvidoria das Polícias, órgão responsável por acompanhar a atuação da PM e da Polícia Civil.
"Fui impedido inúmeras vezes. Não me deixaram socorrer minha esposa. Fui oprimido pelos policiais naquela noite. Foi um ato de crueldade. Eles impediram de socorrer minha mulher", afirmou à TV Globo após o depoimento.
Luciano reforçou também a demora no atendimento a Thawanna. Em nota, a SSP informou que os policiais envolvidos na ocorrência trabalharão em funções administrativas até a conclusão das investigações.
Imagens de câmeras corporais serão analisadas e encaminhadas às autoridades, assim como os laudos periciais.
Entenda o caso
No registro da ocorrência, os policiais informaram que estavam em patrulhamento no último dia 3 de abril quando avistaram um casal andando no meio da rua, de braços dados. O homem teria se desequilibrado e batido o braço no retrovisor da viatura.
Os agentes, então, teriam retornado ao local, momento em que o rapaz começou a discutir com a equipe e desobedecido uma ordem para se afastar. Em meio ao desentendimento, a mulher teria avançado sobre a policial militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos.
A agente relatou ter sofrido um tapa no rosto e tentado se defender. Na sequência, teria havido um disparo de arma de fogo, e Thawanna teria sido atingida na barriga. Ela foi levada ao Hospital Tiradentes.
Em depoimento, o homem afirmou que a viatura passou pelo casal em alta velocidade, quase atropelando, o que teria gerado uma reação da mulher. Segundo o rapaz, uma agente teria descido da viatura e efetuado o disparo contra Thawanna. Ele disse, ainda, ter sido atingido com spray de pimenta.
Thawanna da Silva Salmázio morreu por hemorragia interna aguda, conforme o atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) nesta sexta-feira, 10. Segundo o documento, um “agente perfuro contundente” foi a causa da morte.