A Penitenciária 2 de Potim, que recebeu nesta quinta-feira, 5, a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, é considerada o novo 'presídio dos famosos' do sistema carcerário de São Paulo. Localizada no Vale do Paraíba, no interior paulista, a unidade passou a receber custodiados de casos de repercussão nacional.
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Além de Vorcaro, que chegou na unidade nesta quinta, a P2 de Potim mantém a custódia de nomes como Fernando Sastre, o motorista da Porsche que matou um motorista de aplicativo de 52 anos em março de 2024, o ex-médico Roger Abdelmassih e Sérgio Nahas, empresário condenado pela morte da esposa.
Como parte do procedimento padrão, Vorcaro será mantido em uma cela de isolamento por 10 dias. Só então ele será levado ao pavilhão de regime fechado. O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, também foi transferido à unidade. Eles estavam no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.
Vorcaro e o cunhado foram detidos na última quarta-feira, 4, na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga esquema bilionário de fraudes financeiras.
De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo, a P2 de Potim foi inaugurada em março de 2002, e tem capacidade para 844 custodiados. Atualmente, a população carcerária da unidade é de 472 presos..
Ainda segundo a SAP, a penitenciária abriga os presos em regime fechado e conta com 7.854,69 metros quadrados, sendo localizada na estrada Prefeito Élio Andrade Nogueira, no bairro Correias.
Antes da P2 de Potim, a Penitenciária 2 de Tremembé, também no Vale do Paraíba, era considerada o 'presídio dos famoso'. O Governo de São Paulo, no entanto, mudou o perfil da unidade de Tremembé e transferiu parte dos detentos no fim de 2025.
3ª fase da Operação Compliance Zero
As prisões de Vorcaro e do cunhado integram a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Segundo a corporação, a ação busca apurar a "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa".
O esquema investigado envolve a comercialização de títulos de crédito falsificados pelo Banco Master. O nome da operação faz alusão à ausência de mecanismos eficazes de controle interno nas instituições envolvidas, o que teria permitido a prática de crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Em novembro do ano passado, Vorcaro já havia sido detido ao tentar embarcar para a Europa em um jato particular que partiria do Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Na avaliação dos investigadores, havia fortes indícios de que ele pretendia fugir do país.
Na ocasião, existia um mandado de prisão preventiva em aberto contra o empresário, que foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal na capital paulista.
A operação também teve como alvos o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, além de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel.
Na tarde de quarta-feira, Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais. A corporação abriu um inquérito para investigar as circunstâncias do incidente.
Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e autorizou o sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. A medida busca interromper a movimentação de recursos ligados ao grupo sob investigação e resguardar valores que possam ter relação com as irregularidades apuradas.