Como é a cidade mais violenta do Brasil, com taxa de mortes cinco vezes acima da média nacional

Dado considera casos de mortes violentas intencionais em 2025, conforme divulgado pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública

24 jul 2026 - 04h58
Maranguape é considerada, pelo segundo ano consecutivo, a cidade mais violenta do Brasil
Maranguape é considerada, pelo segundo ano consecutivo, a cidade mais violenta do Brasil
Foto: Reprodução/Google Street View

Qual a cidade mais violenta do Brasil? Considerando a taxa de mortes violentas intencionais em 2025, a resposta é Maranguape, no Ceará. É o que aponta, pelo segundo ano consecutivo, o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. As dez cidades mais violentas estão localizadas na região Nordeste, sendo três no Ceará, cinco na Bahia, uma em Pernambuco e outra na Paraíba. O levantamento, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi divulgado nesta quinta-feira, 23. 

No Brasil, ao longo de 2025, foram registradas 40.775 mortes violentas, representando uma redução de 8,2% com relação a 2024. O resultado é puxado, principalmente, pela diminuição de casos de homicídios dolosos. A taxa nacional é de 19,1 mortes violentas intencionais a cada 100 mil habitantes, a menor registrada desde 2012 e, pela primeira vez, abaixo de 20 por 100 mil habitantes.

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A categoria “mortes violentas intencionais” engloba vítimas de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. No geral, pelo Brasil, 90,8% das vítimas são homens e 9,2% mulheres. Sobre raça, a maior parte das mortes são de pessoas negras (79,7%). 

Em Maranguape, a cidade mais violenta, a taxa de mortes do tipo é cinco vezes maior do que a taxa nacional, de 100,3 casos por 100 mil habitantes. Na região Nordeste, a com mais casos, a taxa é de 31,6. 

Mas o que acontece na Maranguape? Conforme aponta o estudo, o local é marcado por disputas faccionais. O atrativo da cidade é a proximidade com rodovias importantes para a região, como a CE-065 e a BR-222, que são utilizadas como corredores logísticos para o tráfico de drogas.

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Anuário 2026 • Dados MVI 2025

As 10 Cidades Mais Violentas do Brasil

Ranking dos municípios acima de 100 mil habitantes ordenados pela taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) por 100 mil habitantes. Dados consolidados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Filtrar Estado:

Ranking Nacional MVI (2025)

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Pos. Município Taxa MVI Proporção relativa
*MVI = Homicídios, Latrocínios, Lesão Seg. de Morte e MDIP Exibindo 10 de 10

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© 2026 • Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (Anuário de Segurança Pública).
Atualizado em 2026

O Terra acionou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em busca de uma manifestação em torno do levantamento publicado. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de retorno.

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Segundo dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maranguape é uma cidade com 105.096 habitantes, com idade mediana da população em 33 anos. A média mensal dos trabalhadores formais é de 1,5 salários mínimos, a colocando em 184º lugar no Estado e em 4869º no país. Sobre educação, a taxa de escolarização de 6 a 14 anos é de 98,11%.

Além de Maranguape

Além de Maranguape, as dez cidades consideradas como mais violentas pelo Anuário são:

  • Eunápolis (BA) - taxa de 85,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Maracanaú (CE) - taxa de 80,7 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Porto Seguro (BA) - taxa de 71,2 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Simões Filho (BA) - taxa de 68,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Jequié (BA) - taxa de 67,4 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Caucaia (CE) - taxa de 66,6 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Cabo de Santo Agostinho (PE) - taxa de 65,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Santa Rita (PB) - taxa de 60,9 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
  • Juazeiro (BA) - taxa de 55,8 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.

As cidades citadas também seguem o padrão de disputas entre grupos criminosos pelo controle do tráfico de drogas. O Anuário destaca dois padrões de hipóteses para esses resultados:

“O primeiro é o seguimento de padrão histórico de disputas por cidades cortadas por importantes rodovias, em cidades do interior, que funcionam como corredores logísticos para o escoamento interno do tráfico de drogas, podendo se relacionar com outros tipos criminais. O segundo é um padrão emergente, apresentando as cidades litorâneas do Nordeste servindo como um importante corredor de saída de drogas, especialmente a cocaína para o tráfico internacional durante a última década”.

Além disso, faam sobre o fator da demanda pelo comércio varejista das drogas em cidades turísticas, que somado à expansão das facções do Sudeste para o Norte e Nordeste, altera configurações locais dos mercados ilegais.

Em meio aos dados, há pontos de atenção: Eunápolis, que está em segundo lugar no ranking das cidades mais violentas neste ano, nem figurava entre as 20 cidades com maior taxa de mortes em 2024. Além disso, Porto Seguro, que também aparece na listagem, é a cidade com maior taxa no recorte de morte por decorrência de intervenção policial, com uma taxa de 32,3 casos por 100 mil habitantes.

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Relatório Especial Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública
Ano-base 2025 · Edição 2026
Panorama da Criminalidade Nacional

Brasil reduz assassinatos ao menor índice em 14 anos, mas enfrenta avanço de fraudes digitais e letalidade de forças policiais

A taxa nacional de mortes violentas intencionais recuou para 19,1 por 100 mil habitantes, atingindo antecipadamente a meta estipulada para 2027. Em contrapartida, os estelionatos bateram novo recorde e os feminicídios mantiveram trajetória de alta.

Mortes Violentas (MVI) 40.775
-8,2% em relação a 2024 Taxa: 19,1 / 100 mil hab.
Estelionatos Registrados 2.261.055
+429,8% desde 2018 258 ocorrências / hora
Feminicídios 1.571
+4,0% em relação a 2024 96,4% de autores homens
Letalidade Policial 6.602
+5,4% em relação a 2024 18 mortes / dia em operações

Evolução Histórica das Mortes Violentas Intencionais

Total absoluto de vítimas por ano no Brasil (2012–2025)

-31,1% desde 2012

Perfil das Vítimas (2025)

Composição demográfica da violência letal

Gênero Masculino 90,8%
 
Pessoas Negras (Pretos e Pardos) 79,7%
 
Jovens (18 a 29 anos) 41,6%
 
Meta da Política Nacional: O país reduziu a taxa de mortes para 19,1 por 100 mil habitantes, cumprindo antes do prazo a meta fixada para 2027 (abaixo de 20 por 100 mil).

Municípios com Maiores Taxas de MVI

Cidades com mais de 100 mil habitantes (Taxa por 100 mil hab.)

Município UF Taxa MVI
1. Maranguape CE 100,3
2. Eunápolis BA 85,1
3. Maracanaú CE 80,7
4. Porto Seguro BA 71,2
5. Simões Filho BA 68,1
6. Jequié BA 67,4
7. Caucaia CE 66,6
8. Cabo de Santo Agostinho PE 65,1
9. Santa Rita PB 60,9
10. Juazeiro BA 55,8

Disparidades Regionais entre UFs

Taxas extremas de Mortes Violentas Intencionais por estado

Maiores Taxas
  • Amapá (AP) 42,5
  • Bahia (BA) 36,8
  • Ceará (CE) 34,7
Menores Taxas
  • Santa Catarina (SC) 7,6
  • São Paulo (SP) 7,8
  • Distrito Federal (DF) 9,6
Estados com alta nos assassinatos em 2025: Apenas 7 UFs registraram crescimento no indicador de MVI: Rio Grande do Norte (+19,6%), Rondônia (+7,5%), Acre (+6,3%), Roraima (+5,8%), Distrito Federal (+5,8%), Mato Grosso do Sul (+4,9%) e Rio de Janeiro (+2,1%).

Consulta de Indicadores por Unidade da Federação

Selecione um estado para visualizar os consolidados estaduais de 2025

Síntese dos Analistas: A Reconfiguração da Criminalidade

A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública confirma uma mudança de patamar no perfil criminal do país. Enquanto os homicídios e os roubos violentos de rua mantêm trajetória descendente em diversas regiões, a criminalidade organizada expandiu suas frentes para estelionatos virtuais, fraudes financeiras de alta escala e lavagem de capitais.

Entretanto, o relatório ressalta que os avanços na contenção dos crimes mortais não atingiram de forma igualitária a totalidade da população: feminicídios continuam em patamares recordes, a letalidade em ações policiais atingiu seu pico histórico e as ocorrências intrafamiliares contra crianças permanecem subnotificadas.

Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2026) — Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Relatório Especial de Dados Abertos e Análise Institucional.

Fonte: Portal Terra
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