O segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo 2026 terminou na manhã deste domingo, 15, após cerca de oito horas de apresentações no Sambódromo do Anhembi, na zona norte.
As sete escolas desta madrugada apresentaram repertório eclético, que exaltou grandes nomes, tradições afro-brasileiras e mensagens de fé e resistência. Os destaques da noite foram os luxuosos abre-alas das escolas do Grupo Especial, que chamaram atenção pelos detalhes, efeitos visuais e tamanho das alegorias.
A Camisa Verde e Branco encerrou a noite com um tributo a Exu. Antes, passaram pela avenida a Império de Casa Verde, exaltando as joias e a força das mulheres negras; a Águia de Ouro, com referências à liberdade de Amsterdã; e a Mocidade Alegre, em homenagem à atriz Léa Garcia. Também desfilaram a Gaviões da Fiel, celebrando os povos originários; a Estrela do Terceiro Milênio, que reverenciou o poeta Paulo César Pinheiro; e a Tom Maior, que contou a história e o legado de Chico Xavier.
Já a primeira noite, que ocorreu na madrugada entre a sexta-feira, 13, e o sábado, 14, contou com um desfile que exaltou o poder feminino, a luta pela terra e a força dos orixás. Desfilaram as escolas Mocidade Unida da Mooca, Colorado do Brás, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul.
Solange Cruz, presidente da escola, afirmou ter terminado o desfile contente com o resultado apresentado. "Ficamos muito satisfeitos quando tudo corre bem. Era só isso que a gente queria porque é um trabalho e tanto pra muito pouco tempo mas que tem que sair redondinho. Pelo que eu vi saiu, mas o jurado pode ter visto outra coisa", brincou.
Gaviões da Fiel ecoa as vozes ancestrais em defesa da natureza
A Gaviões da Fiel trouxe na sequência "Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã", enredo que destacou a luta e o legado dos povos indígenas e suas conexões espirituais com a floresta e a vida, lembrando a importância da preservação ambiental como ação de resistência e cuidado coletivo.
A escola apresentou um desfile com teor crítico, retratando em alegorias o impacto da exploração econômica sobre os povos originários. Na avenida, gados surgiram empunhando serras elétricas e, sob essas estruturas, indígenas apareciam chorando ouro.
Com o público em êxtase, agitando bandeirinhas e cantando o samba-enredo do início ao fim, a escola atravessou a pista e concluiu sua apresentação.
Alexandre Domenico, presidente da escola, classificou o desfile como um pico de adrenalina. "Sacudimos o Anhembi. Tudo que foi proposto, nós entregamos. Estamos esperançosos por esse título, já são 23 anos sem levantar o caneco mas tenho certeza que voltaremos na semana que vem, se Deus quiser, como campeões".
Estrela do Terceiro Milênio transforma o samba em poesia em homenagem a Paulo César Pinheiro
A Estrela do Terceiro Milênio levou poesia ao Anhembi com "Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções". A homenagem ao compositor destacou o poder da palavra e da música na cultura brasileira.
No desfile, figuras ilustres da música brasileira também foram reverenciadas. Dona Ivone Lara foi homenageada na ala das baianas, enquanto Clara Nunes apareceu representada no topo de uma das alegorias, acompanhada por Nossa Senhora Aparecida e por orixás como Ogum e Iansã.
A escola finalizou o desfile com uma alegoria que apresentou uma escultura do homenageado Paulo César Pinheiro, celebrando sua trajetória e contribuição para a música brasileira.
Tom Maior traz Chico Xavier e Uberaba para a passarela
A Tom Maior celebrou a vida e o legado do médium Chico Xavier com o enredo "Chico Xavier. Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba", misturando espiritualidade, fé e narrativa biográfica em um desfile emotivo sobre mediunidade e transcendência.
Com grandes alegorias, o carro de abertura da escola impressionou pelo impacto visual e pela riqueza de detalhes. A alegoria trouxe a figura de um grande xamã, a figura apresentou efeitos visuais aprimorados pelo uso de centenas de rolos espelhados.
"A emoção transbordou. Esse é o grand finale do trabalho que é fazer um desfile. A Tom Maior passou na avenida como uma escola grandiosa e que tem determinação para buscar esse título que ainda não temos", comentou Flávio Campello, carnavalesco da escola ao fim do desfile.
Camisa Verde e Branco fecha Grupo Especial abrindo caminhos
Fechando a madrugada, a Camisa Verde e Branco trouxe o enredo "Abre caminhos", que evoca a figura do orixá Exu e suas múltiplas manifestações nas tradições de matriz africana, ressaltando a ideia de proteção, transição e transformação como elementos de fé, movimento e circulação.
O enredo encerrou oficialmente a fase de desfiles do Grupo Especial. A apuração que definirá a nova campeã acontece na terça-feira à partir das 16h.
O desfile se destacou pelo uso das cores vermelho e preto, que dominaram a avenida em alegorias dedicadas a Exus, reforçando a força e a simbologia do enredo que também se utilizou do tradicional verde e branco. Nos momentos finais, a escola precisou acelerar o ritmo e acabou ultrapassando o tempo máximo permitido. "Não consegui ver direito o que aconteceu, vou saber depois. Estou tranquila, sei o trabalho que fiz", afirmou a presidente Erica Ferro.