O busto de Soledad Barrett, militante assassinada na ditadura militar, foi vandalizado com tinta branca na Rua da Aurora, no Recife, tendo também sua placa danificada. A obra, inaugurada em 2025 ao lado do monumento Tortura Nunca Mais, já havia sido alvo de pichações e furto anteriores. A Emlurb enviará uma equipe para avaliar o restauro e informou que a cidade gasta cerca de R$ 2,4 milhões anuais para recuperar equipamentos públicos depredados. A autoria do ato ainda é desconhecida.
O busto de Soledad Barrett Viedma, militante paraguaia assassinada durante a ditadura militar brasileira, foi alvo de vandalismo na Rua da Aurora, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. A escultura foi parcialmente coberta por tinta branca, principalmente nas regiões do rosto e dos cabelos. A placa de identificação do monumento também apresenta sinais de depredação.
Inaugurado pela Prefeitura do Recife em fevereiro de 2025, o monumento está localizado ao lado do Tortura Nunca Mais, obra dedicada às vítimas da repressão política durante o regime militar. Até o momento, não há informações sobre a autoria do ato. A Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) informou que encaminhará uma equipe ao local para avaliar os danos e programar os serviços necessários à recuperação da escultura.
Segundo a autarquia, o busto já passou por duas intervenções em 2026. Em janeiro, foi realizada uma limpeza geral. Posteriormente, em agosto, equipes removeram pichações e reinstalaram a placa de identificação, que havia sido furtada e depois recuperada.
A Emlurb também informou que a Prefeitura do Recife gasta aproximadamente R$ 2,4 milhões por ano com a recuperação de monumentos, pontes e outros equipamentos públicos atingidos por pichações e atos de vandalismo.
Quem foi Soledad Barrett Viedma
Nascida no Paraguai, Soledad Barrett Viedma tornou-se símbolo da resistência à ditadura militar e da defesa dos direitos humanos. Neta do escritor espanhol Rafael Barrett, conhecido por denunciar as condições de exploração dos trabalhadores paraguaios, ela teve contato desde cedo com a perseguição política.
Aos três meses de idade, deixou o Paraguai com os pais, que buscaram exílio na Argentina. Filha de militantes políticos, Soledad se aproximou ainda jovem dos movimentos estudantis e, posteriormente, mudou-se com a família para o Uruguai.
No país, foi sequestrada por integrantes de um grupo neonazista. Durante o episódio, sofreu violência após se recusar a pronunciar a frase "Viva Hitler", tendo uma suástica marcada nas coxas.
Anos depois, chegou ao Brasil e ingressou na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização que atuava contra o regime militar. Enviada ao Recife, passou a integrar a resistência política na capital pernambucana.
A homenagem instalada na Rua da Aurora reconhece a trajetória de Soledad e sua atuação na luta contra a ditadura. O monumento integra um espaço de memória dedicado às vítimas da repressão política no Brasil.