Após quase um mês internada, Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, que teve as mãos decepadas em uma tentativa de feminicídio em Quixeramobim (CE), recebeu alta do Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza, na sexta-feira, 29.
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Ao sair do hospital, ela foi homenageada pelos profissionais do local. Eles fizeram um corredor humano e aplaudiram a jovem, que se emocionou. O momento foi compartilhado pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), nas redes sociais. O político foi até o local para visitar Ana Clara.
A jovem teve a mão direita decepada e a mão esquerda quase completamente arrancada pelo ex-cunhado no último dia 1º de maio. Ela foi brutalmente agredida com uma foice após uma discussão com o então namorado. Semanas depois, em entrevista à TV Globo, ela relatou que escapou ao se fingir de morta.
Ana Clara e Ronivaldo tinham uma união estável há dois anos, e a jovem contou que discussões por ciúme estavam sendo frequentes e que já havia sofrido agressões do ex-namorado. "Estava existindo confusões frequentes em restaurantes, no meio da rua, por ciúmes. Ele era muito ciumento."
Durante a madrugada do dia 1º de maio, ela teve uma discussão com o então namorado, Ronivaldo Rocha dos Santos, que tentava agredi-la, e se defendeu com uma pedra. Então, Ronivaldo saiu da casa onde morava com Ana Clara, em Quixeramobim (CE), e foi em busca do irmão, Evangelista Rocha dos Santos.
Na discussão, Ronivaldo ficou do lado de fora da casa e ordenou que Evangelista matasse Ana Clara. Ele a atingiu com uma foice, decepando as mãos e deixando-a com ferimentos graves em outras partes do corpo, como nas pernas e no pescoço.
"Me fiz de morta", recordou Ana Clara. Ela lembra que gritou pedindo socorro aos vizinhos, que chamaram o Samu. Ela recebeu atendimento dos socorristas, foi levada a um hospital em Quixeramobim e depois transferida para outro em Fortaleza. Na capital cearense, ela passou por uma cirurgia de 12 horas para o reimplante dos membros.
Evangelista foi preso em Quixeramobim no mesmo dia em que atacou Ana Clara. Ronivaldo foi encontrado horas depois em uma cidade a 60 quilômetros de distância. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou os irmãos por tentativa de feminicídio. O Terra não localizou a defesa dos irmãos.