Agência de turismo do RS é alvo de investigação após série de cancelamentos de viagens

Clientes do norte do RS relatam pacotes pagos, reservas inexistentes e prejuízo estimado em até R$ 1 milhão

3 fev 2026 - 11h04

Uma agência de viagens com sede em Marau, no norte do Rio Grande do Sul, passou a ser investigada pela Polícia Civil após o cancelamento de pacotes turísticos já pagos por dezenas de clientes. Segundo relatos de consumidores prejudicados, os contratos incluíam passagens aéreas, hospedagem e transporte, mas foram suspensos às vésperas das viagens, sem reembolso imediato. O prejuízo total pode chegar a R$ 1 milhão.

Foto: Freepik / ilustrativa / Porto Alegre 24 horas

De acordo com estimativas do próprio grupo de clientes, cerca de 70 pessoas teriam sido afetadas. Até o momento, ao menos quatro ocorrências foram formalmente registradas na Polícia Civil, que abriu investigação para apurar os fatos envolvendo a empresa Personalizze Viagens e Turismo.

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Os pacotes contratados normalmente previam voos com saída de Passo Fundo para destinos turísticos nacionais e internacionais, além de hospedagem e traslados. No entanto, muitos clientes só descobriram que as viagens não aconteceriam ao tentar confirmar diretamente as reservas com hotéis e companhias aéreas.

Entre os casos está o da auxiliar de cozinha Edejanes de Lima Brisola, moradora de Vila Maria. Ela e um familiar viajariam para Porto de Galinhas (PE) entre os dias 24 e 31 de janeiro, mas começaram a enfrentar problemas poucos dias antes do embarque.

— "Ficamos esperando os cartões de embarque dos voos por dias, e eles passaram a ignorar nossas mensagens. Resolvemos ligar para a pousada em que ficaríamos e descobrimos que não havia nenhuma reserva em nosso nome. Naquele momento, sentimos um balde de água fria" — relata.

O pacote, pago à vista em abril de 2025, custou cerca de R$ 8 mil para duas pessoas. Segundo Edejanes, a empresa só retomou contato após a data prevista para a viagem, alegando dificuldades financeiras.

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— "Estávamos com as malas prontas. Economizamos o ano todo para gastar com passeios por lá. É algo muito sofrido, e nem recebemos satisfação" — comenta.

Situação semelhante foi enfrentada pela cozinheira Elisangela Viero, que também tinha viagem marcada para Porto de Galinhas com o marido e o filho. O prejuízo dela chegou a R$ 11 mil.

— "Primeiro recebemos um cartão de embarque com o dia errado, impresso para partirmos no domingo, em vez do sábado. Ao questionarmos, a empresa falou que era erro de uma antiga funcionária, e nunca mais emitiram a passagem certa, nem responderam. Também nos alegaram dificuldade financeira e não falaram em reembolso, por isso levamos o caso para a polícia" — relata.

Além das viagens para o Nordeste, há registros de problemas envolvendo cruzeiros internacionais. Um dos clientes lesados, Luiz Eduardo Alerico, de Marau, afirma que a mobilização do grupo começou quando surgiram os primeiros relatos públicos.

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— "No meu caso, tínhamos um cruzeiro comprado em família, partindo no próximo sábado (31) de Itajaí (SC) para Buenos Aires, na Argentina. Há alguns dias, paramos de receber retorno da empresa e logo vimos que já estava dando problema em outra viagem, para o Nordeste. Nesse momento, percebemos que era um golpe e começamos a nos mobilizar para fazer a denúncia" — afirma.

Diante da quantidade de relatos, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar possível lesão coletiva aos consumidores. O procedimento busca reunir documentos, contratos e informações tanto da empresa quanto das vítimas, além de avaliar a extensão dos prejuízos.

Procurada, a Personalizze Viagens e Turismo informou, por meio de nota, que realiza um "levantamento interno" sobre os fatos e que, por orientação jurídica, não irá se manifestar enquanto as apurações estiverem em andamento. A empresa declarou ainda que estará à disposição para prestar esclarecimentos em "momento oportuno".

O Ministério Público orienta que consumidores prejudicados busquem assessoria jurídica particular para eventual reparação dos danos. Para quem deseja integrar o inquérito civil, a recomendação é registrar reclamação no Procon, formalizar boletim de ocorrência na Polícia Civil e, com a documentação reunida, procurar a Promotoria de Justiça para anexar as informações ao procedimento em andamento.

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Com informações: GZH

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