Cantora Bruna Hetzel leva músicas do nordeste brasileiro aos clubes de jazz de Paris

Radicada na França desde 2022, a cantora potiguar Bruna Hetzel tem conquistado espaço em festivais e casas de jazz parisienses com um repertório que mistura MPB, influências nordestinas e o estilo gênero norte-americano. A artista, que também é antropóloga, falou sobre como suas origens no Rio Grande do Norte moldam sua identidade musical, sobre o desafio de apresentar a riqueza cultural brasileira ao público europeu e sobre seus novos projetos em Paris.

4 ago 2026 - 14h01

Luiza Ramos, da RFI em Paris

Com seu álbum 'Canto Azul', a artista nordestina Bruna Hetzel conta como sua formação em antropologia se mistura com sua carreira musical.
Com seu álbum 'Canto Azul', a artista nordestina Bruna Hetzel conta como sua formação em antropologia se mistura com sua carreira musical.
Foto: © Luiza Ramos/RFI / RFI

Natural de Natal, no Rio Grande do Norte, Bruna Hetzel chegou à França há três anos. A mudança, motivada inicialmente por uma questão pessoal, acabou se transformando em uma nova etapa de sua carreira artística. 

Publicidade

A estreia internacional do trabalho aconteceu justamente em território francês. Primeiro em Nantes, onde iniciou parcerias com músicos locais e participou de festivais regionais, e depois em Paris, onde passou a se apresentar regularmente em clubes de jazz e espaços culturais. 

Mas a música é apenas uma das vertentes de sua trajetória. Formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Bruna também atua como antropóloga, pesquisadora vocal e professora de canto. Segundo ela, essas experiências se refletem diretamente na sua carreira artística: "Todas essas áreas acabam influenciando e reverberando muito no meu trabalho". 

Diferença de público entre Brasil e França

A experiência de cantar na França também modificou sua relação com o palco. Segundo Bruna, o comportamento do público francês é bastante diferente daquele encontrado no Brasil. "Nós somos um povo bastante festivo, e as pessoas querem cantar junto, o corpo dança junto", relata. 

Já nos clubes de jazz franceses, a artista destaca a atenção dedicada à escuta. Nesse contexto, ela conta que sua formação em antropologia ganha ainda mais relevância. Antes de cada canção, ela costuma contextualizar a obra, apresentar seus autores e explicar as referências culturais presentes nas letras. 

Publicidade

"Eles gostam de ouvir histórias", afirma. "Mesmo que não entendam tudo o que a gente está cantando em português, ficam encantados em ouvir o contexto, fecham os olhos e mergulham naquela realidade", descreve Bruna.

Nordeste como identidade artística 

Bruna destaca que a cultura nordestina ocupa um espaço central em sua produção artística e busca ampliar a visibilidade de uma região frequentemente ofuscada pela imagem internacional concentrada no eixo Rio-São Paulo. 

"O Nordeste é uma região importantíssima para o nosso país. Culturalmente, muito do que a gente ouve na nossa música, na culinária brasileira, na cultura brasileira como um todo, vem do Nordeste", afirma. 

Segundo a cantora, quem ouve sua música encontra não apenas influências rítmicas nordestinas, mas também elementos da paisagem, das cores e da atmosfera cultural do litoral potiguar. Como no clipe da música "Canto do Mar", do seu álbum "Canto Azul".

Publicidade

Lançado para celebrar seus dez anos de carreira, "Canto Azul" sintetiza essa busca por representar diferentes dimensões da música brasileira. O repertório reúne referências consagradas como Dorival Caymmi, Djavan, Joyce Moreno e Ivan Lins, além de compositores ligados ao Nordeste e de canções autorais. 

Nova jam brasileira em Paris 

Entre os projetos para os próximos meses, a cantora prepara uma iniciativa inédita em uma das mais tradicionais casas de jazz da capital francesa. Bruna foi convidada para coordenar uma jam session dedicada à música brasileira no Sunset Sunside, referência da cena jazzística parisiense, localizada na histórica Rue des Lombards. 

"Estou tendo a grande alegria de colaborar com o Sunset Sunside e vou coordenar esse projeto, que é uma jam session de música brasileira", celebra a artista. A primeira edição está prevista para 20 de setembro e será dedicada à obra de Chico Buarque. 

Além da nova jam session, a agenda da cantora inclui apresentações em festivais de verão na região parisiense, como Estivales Montrougiennes, no dia 4 de agosto, ao lado do músico francês Hugo Corbin, em uma homenagem à Bossa Nova.

Publicidade
A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações