Vitória Barreto, em Paris para a RFI
A Green Spot, instalada em Toulouse, no sul do país, desenvolveu um processo de fermentação que transforma resíduos agrícolas em ingredientes nutritivos e benéficos à saúde, que podem ser alternativas ao chocolate e pastas de diversos sabores.
Depois de concluir o mestrado em biotecnologia em Santa Catarina, Ninna Granucci foi fazer um doutorado na Nova Zelândia para desenvolver o projeto; lá, conheceu seus cofundadores, que a convenceram a abrir a empresa na França. A iniciativa atraiu investidores como o Banco Público de Investimento francês (BPI), entre outros, como recorda a empreendedora.
"Vimos um grande interesse da França como país em pensar a alimentação do futuro e o sistema de produção de alimentos. Entramos nas áreas de interesse do país e recebemos bastante investimento público."
No caso do produto semelhante ao chocolate, a produção do ingrediente começa com a coleta de favas, cujos resíduos costumam ser descartados ou usados para nutrição animal e produção de energia. Na sequência, esses restos passam por um processo de fermentação, que Ninna considera 'mágico'.
Ela explica que o método "retira o gosto meio amargo (do resíduo) e cria aromas quentes, que remetem ao aroma do chocolate". O resultado desse processo é o Féverolat, produto que a empresa patenteou. Há três semanas, as trufas feitas com esse ingrediente inovador já fizeram parte de um jantar no Castelo de Windsor.
Embora a Green Spot não produza apenas doces, a empresa aproveitou a volatilidade do mercado de cacau para criar a marca de panificação e doces Milatea para atender às necessidades desse setor específico.
"O mercado era muito favorável, porque o preço do cacau disparou em 2025. (...) E aí a gente falou que a nossa tecnologia poderia resolver em parte isso."
Ao lançar o produto, Ninna afirma que sentiu muita resistência da indústria, que demora, segundo ela, anos para aceitar um novo ingrediente.
"Somos uma empresa tecnológica de fermentação e, normalmente, quando falamos com algumas empresas de alimentos, elas acham que vai ser uma coisa meio Frankenstein de laboratório. Então criamos a Milatea para poder comercializar esses ingredientes," explica Ninna Granucci.
A empreendedora brasileira revelou que, no fim do ano, um novo produto está por vir, ainda sem mencionar o novo sabor, mas adiantando que ele é 'primo' do chocolate, um produto de preço extremamente volátil e produzido em regiões muito específicas, nas quais a empresa acredita poder contribuir para dar mais sustentabilidade.