Os sobreviventes do acidente com uma embarcação do passeio Macuco Safari, no Parque Nacional do Iguaçu, relataram momentos de desespero após o barco virar durante a navegação em direção às Cataratas do Iguaçu. Os depoimentos, exibidos pelo Fantástico neste domingo (2), também levantam questionamentos sobre as orientações de segurança repassadas aos passageiros antes da saída.
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O acidente ocorreu na última terça-feira (28) e resultou na morte do turista holandês Mark Lensink, de 25 anos. Segundo o Corpo de Bombeiros, ele sofreu afogamento que evoluiu para uma parada cardiorrespiratória.
Em depoimento, o cunhado de Mark afirmou que os passageiros receberam coletes salva-vidas antes do embarque, mas disse que não houve explicações sobre a utilização do equipamento nem sobre os procedimentos em caso de emergência.
"Ao chegarmos ao barco, recebemos coletes salva-vidas, que precisávamos prender na altura da cintura. Não houve nenhuma explicação sobre o uso do colete ou sobre o que fazer caso o barco virasse", afirmou.
Já o sogro da vítima descreveu o momento em que a embarcação foi atingida por uma onda e virou em questão de segundos.
"Enquanto navegávamos em direção ao meio do rio, uma grande onda atingiu o barco pela esquerda. Era uma onda gigantesca. O barco virou em poucos segundos. Depois disso, acabamos todos debaixo do barco. Primeiro, lutamos para sair de lá", relatou.
Ele também afirmou que o modelo do colete salva-vidas dificultava seu ajuste ao corpo.
"Havia uma fita que prendia na cintura, mas como prendia por baixo, entre as pernas, o colete sempre subia", disse.
O cunhado de Mark contou ainda que ele e a vítima conseguiram escapar da embarcação após o naufrágio e iniciaram imediatamente as buscas pelos demais familiares.
"Mark e eu não ficamos presos sob o barco virado e imediatamente procuramos pelos outros. Consegui resgatar a noiva do Mark e a minha sogra. Depois disso, não vi mais o Mark", afirmou.
Ao todo, oito pessoas estavam na embarcação: seis turistas holandeses — um casal, as duas filhas, o noivo de uma delas (Mark) e o namorado da outra —, além do piloto e do copiloto.
Um dos turistas foi encaminhado ao Hospital Municipal de Foz do Iguaçu. Outras quatro vítimas receberam atendimento ainda no local e foram liberadas. O piloto e o copiloto procuraram atendimento posteriormente no Porto Seco do Kattamaram e, após avaliação do Corpo de Bombeiros, foram levados à UPA Morumbi.
O caso mobilizou sete bombeiros, duas ambulâncias e uma viatura, além de equipes da Marinha do Brasil e da Polícia Civil do Paraná, responsável por investigar as circunstâncias do acidente.
O barco fazia parte do Macuco Safari, atração turística que leva visitantes para um passeio de navegação próximo às Cataratas do Iguaçu. Nos dias anteriores ao acidente, a região registrava alta vazão do rio Iguaçu, o que levou ao fechamento temporário da passarela de acesso às quedas d'água. Os passeios turísticos foram retomados três dias após o acidente.