Quase 50 bispos católicos divulgaram uma carta alertando para riscos à democracia e à soberania nas eleições de 2026. Sem citar nomes, o texto mira a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, acusando-o de violar a doutrina social da Igreja, rejeitar pautas trabalhistas, ameaçar o meio ambiente e submeter o país aos EUA. O manifesto associa o presidenciável ao histórico antidemocrático de seu pai e alerta para o perigo de usurpação de poder caso ele seja eleito com ampla maioria institucional.
Um grupo de quase 50 bispos católicos divulgou uma carta conjunta em que declara riscos à "existência da democracia" e à "soberania nacional" nas eleições presidenciais de 2026.
O documento explica que o pleito deste ano "não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século 20 deixaram cruéis e amargas lembranças".
Sem citar nomes, os bispos alegam que "uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI [doutrina social da Igreja], a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum".
Em seguida, no entanto, a carta deixa clara a objeção ao senador Flávio Bolsonaro (PL), mesmo sem mencioná-lo. "A candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6x1 e propunha pagar o salário por hora trabalhada não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema", alerta, acrescentando que um dos presidenciáveis também "promete submissão do Brasil aos Estados Unidos, fez conspiração para taxar produtos brasileiros e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA".
Além disso, destaca que "o partido de um dos candidatos sempre foi publicamente contrário aos programas sociais e de combate à pobreza, por desconhecer as causas da miséria no Brasil". Os bispos também acusam Flávio, sem citá-lo nominalmente, de não reconhecer a crise climática e de querer "dar continuidade às políticas de devastação que caracterizaram o governo de seu pai e a atuação de seu partido no Congresso".
O documento ainda aponta que "um dos candidatos" é "publicamente favorável à tortura" e é "filho do presidente condenado e preso por atentar contra a democracia". "Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia", acrescenta o texto.
A carta é assinada por 47 membros do episcopado brasileiro, incluindo quatro arcebispos, e não representa a totalidade da Igreja Católica no país.